Matéria do jornal O Tempo (MG) deste domingo traz matéria muito interessante sobre o congelamento de óvulos, com alerta de especialistas para o perigo da banalização e uso inadequado do procedimento.
Veja aqui a matéria de O Tempo completa.
O enfoque dado à questão foi bastante claro e interessante. Como bem exposto, o congelamento de óvulos costuma apresentar menores taxas de sucesso de gravidez que o congelamento de embriões, por isso, se deu preferência à segunda opção. Contudo, por conta da polêmica sobre os embriões excedentes do tratamento de reprodução assistida e o que é ético em relação ao seu destino, a questão sempre foi acompanhada por muitos questionamentos.
No Brasil, em 2008, o Supremo Tribunal Federal liberou a utilização desses embriões em pesquisas com células-tronco, finalidade nobre e que promete ajudar muitas pessoas num futuro não tão distante. Porém, devido à controvérsia que envolve a utilização de células embrionárias, alguns países não permitem seu congelamento, o que forçou os cientistas a aprimorarem as técnicas de congelamento de óvulos. Isso permitiu, em primeiro lugar, que mulheres com a fertilidade ameaçada, como no caso de tratamentos quimioterápicos, ou outros problemas de saúde, pudessem preservar sua fertilidade.
fonte: O Tempo - MG
A técnica avançou e também vem sendo utilizada como um modo de postergar a gravidez. Contudo, apesar de todos os avanços, essa ainda não é uma técnica infalível para tal finalidade. O número de óvulos disponível é limitado e, eventualmente, estes podem não ser suficientes para se obter uma gravidez. Ou seja, apoiar todo um planejamento de vida em cima da tecnologia pode ser uma decisão arriscada.
A melhor recomendação para as mulheres que não querem engravidar por questões profissionais é que elas pensem cuidadosamente sobre os empecilhos para escolher a hora certa de engravidar. De nada adianta ter uma vida profissional plena se a pessoal não se sente plena. Dentro da minha experiência profissional, o que percebo é que a melhor hora para engravidar costuma mesmo ser o momento em que a mulher se pergunta sobre isso.
De qualquer forma, o sucesso da criopreservação de óvulos veio como um alento para igualar um pouco mais as mulheres aos homens. Picasso foi pai aos 70 anos. E quem somos nós para dizer que isso é certo ou errado para as mulheres? A sociedade é que vai ditar as regras conforme for ocorrendo o avanço da ciência."
fonte: O Tempo - MG
Por Dr. Cassio Sartorio
Ginecologista especialista em reprodução humana assistida









