segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Vamos querer gêmeos!




Já perdi a conta de quantos pacientes me perguntaram sobre gestação múltipla; alguns por desejarem a gestação de gêmeos, outros pelo medo de virem a ter três, quatro ou mais bebês de uma só vez. A questão é que a relação reprodução assistida e números de bebês concebidos ainda é pouco clara para muitos.

A cada ciclo natural, a mulher libera um óvulo (raramente dois ou mais). Esse óvulo caminha no interior da trompa para encontrar o espermatozóide. Quando há o encontro e ocorre a fecundação, o óvulo fecundado inicia o processo de divisão celular e vai avançando em direção à cavidade uterina, para implantar-se na camada interna do útero, onde o bebê irá se desenvolver até o momento do parto.

Existem duas maneiras de a gestação gemelar ocorrer. A primeira e mais frequente é quando a mulher libera dois óvulos em um ciclo. Se ambos forem fecundados, cada um originará um embrião. Neste caso, teremos gêmeos dizigóticos, também conhecidos como bivitelinos, ou fraternos. A segunda forma é quando o zigoto, por um processo ainda pouco esclarecido, se divide em duas partes iguais e cada uma origina um bebê. Neste caso, ao contrário dos dizigóticos, os gêmeos serão idênticos e, claro, do mesmo sexo. Num ciclo natural, as chances de acontecer uma gestação trigemelar é bem baixa (um em cada 2.000) e, quadrigemelar, ainda mais raras.

No tratamento de reprodução assistida, para aumentar as chances de gravidez, a mulher recebe medicações que estimulam o ovário. Os óvulos coletados são preparados no laboratório. Cada óvulo recebe um espermatozóide e, no dia seguinte, é verificada a fertilização. Pode acontecer do óvulo, mesmo após injeção do espermatozóide, não ser fertilizado. Neste caso, não haverá zigoto, nem embrião. Isso vai depender de caso, da qualidade dos óvulos e dos espermatozóides. A idade, principalmente na mulher, exerce grande influência, tanto em relação à quantidade como à qualidade dos gametas (óvulos e espermatozóides).

Acredito que agora vocês já estejam entendendo por que é tão difícil saber quantos embriões serão produzidos. Os embriões são selecionados para transferência de dois a cinco dias após a coleta dos óvulos. Ou seja, chegou o dia de serem colocados no útero da futura mamãe. É hora de decidir quais e quantos embriões serão transferidos. Analisamos a qualidade dos embriões, o histórico da paciente, o fator de infertilidade. É uma decisão extremamente delicada, pois é preciso considerar o enorme desejo da maternidade-paternidade e os riscos que uma gestação múltipla pode oferecer à mulher. Desta decisão participam o ginecologista, o profissional do laboratório e o casal.

É preciso ressaltar ainda que embriões transferidos não significam embriões implantados, e nesta etapa nós, profissionais de reprodução assistida, já não participamos mais. Agora é só torcer pelo casal e aguardar o resultado do beta hCG (exame que indica se houve ou não implantação de embrião) e da ultrassonografia. Aí, finalmente, o casal saberá quantos bebês estão a caminho.

Sabemos que para o casal que só pode obter a gestação através do tratamento de reprodução assistida, parece bastante vantajoso buscar a gestação de gêmeos ou trigêmeos. Neste momento, para ele, só existe o peso do enorme desejo de ter um filho. Porém, cabe ao profissional lembrar-lhes que do outro lado da balança estão os riscos da gestação múltipla: hipertensão e diabetes gestacional, descolamento da placenta, pré-maturidade, crescimento fetal restrito, complicações respiratórias e neurológicas para o bebê.

O nascimento de múltiplos bebês é considerado um problema de saúde pública e o tratamento de reprodução medicamente assistida é apontado como grande responsável pelo aumento da incidência deste tipo de gestação. Hoje, existe um enorme esforço por parte dos especialistas da área em conseguir reduzir o índice de gestação múltipla. Nosso desafio é transferir menos embriões, sem reduzir a chance de gestação para o casal.

Como embriologista, alegro-me em dizer que as ferramentas que dispomos para a classificação dos embriões nos têm permitido selecionar com maior precisão o embrião de melhor potencial de implantação. E aqueles que não são selecionados, podem ficar armazenados no laboratório para serem transferidos quando o casal desejar, seja por não ter havido gestação, seja pelo desejo de mais um bebê.

Fernanda Couto Ferreira
Embriologista do Centro de Fertilidade da Rede D'Or

terça-feira, 8 de setembro de 2009

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Entrevista para a Rádio CBN de São Paulo

Por ocasião do dia do combate ao fumo (29 de agosto), a rádio CBN de São Paulo realizou uma série de entrevistas com especialistas sobre os males desse hábito tão devastador para a saúde. A Dra. Maria cecília Erthal falou sobre como o fumo pode afetar a saúde e fertilidade da mulher.

Clique no ícone para ouvir:

Entrevista sobre infertilidade do casal - Rádio MEC

Ouça entrevista da Dra. Maria Cecília Erthal sobre infertilidade conjugal e técnicas de fertilização assistida para a rádio MEC, do Rio de Janeiro, realizada em 4 de agosto de 2009.



quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O sonho de ser pai apesar da vasectomia - Matéria do jornal RJ Acontece, da Band

Matéria da Band de 7 de agosto de 2009 conta uma história diferente em homenagem ao Dia dos Pais. Depois de dois filhos e três netos, o arquiteto e artista plástico Douglas Milne-Jones, de 62 anos, jamais poderia imaginar que a cirurgia de vasectomia, feita há 30 anos, seria um empecilho em sua vida. Porém, o segundo casamento, com uma mulher bem mais jovem, reavivou seu desejo esquecido de ser pai mais uma vez.

Dra. Maria Cecília Erthal, diretora-médica do Centro de Fertilidade da Rede D'Or, participou da matéria explicando como as técnicas de fertilização assistida podem ajudar homens que já realizaram, ou pensam nessa opção de esterilização.


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Congelamento de óvulos - técnica ainda polêmica avança e mulheres passam a poder postergar a gravidez


Matéria do jornal O Tempo (MG) deste domingo traz matéria muito interessante sobre o congelamento de óvulos, com alerta de especialistas para o perigo da banalização e uso inadequado do procedimento.

Veja aqui a matéria de O Tempo completa.

O enfoque dado à questão foi bastante claro e interessante. Como bem exposto, o congelamento de óvulos costuma apresentar menores taxas de sucesso de gravidez que o congelamento de embriões, por isso, se deu preferência à segunda opção. Contudo, por conta da polêmica sobre os embriões excedentes do tratamento de reprodução assistida e o que é ético em relação ao seu destino, a questão sempre foi acompanhada por muitos questionamentos.

No Brasil, em 2008, o Supremo Tribunal Federal liberou a utilização desses embriões em pesquisas com células-tronco, finalidade nobre e que promete ajudar muitas pessoas num futuro não tão distante. Porém, devido à controvérsia que envolve a utilização de células embrionárias, alguns países não permitem seu congelamento, o que forçou os cientistas a aprimorarem as técnicas de congelamento de óvulos. Isso permitiu, em primeiro lugar, que mulheres com a fertilidade ameaçada, como no caso de tratamentos quimioterápicos, ou outros problemas de saúde, pudessem preservar sua fertilidade.

fonte: O Tempo - MG


A técnica avançou e também vem sendo utilizada como um modo de postergar a gravidez. Contudo, apesar de todos os avanços, essa ainda não é uma técnica infalível para tal finalidade. O número de óvulos disponível é limitado e, eventualmente, estes podem não ser suficientes para se obter uma gravidez. Ou seja, apoiar todo um planejamento de vida em cima da tecnologia pode ser uma decisão arriscada.

A melhor recomendação para as mulheres que não querem engravidar por questões profissionais é que elas pensem cuidadosamente sobre os empecilhos para escolher a hora certa de engravidar. De nada adianta ter uma vida profissional plena se a pessoal não se sente plena. Dentro da minha experiência profissional, o que percebo é que a melhor hora para engravidar costuma mesmo ser o momento em que a mulher se pergunta sobre isso.

De qualquer forma, o sucesso da criopreservação de óvulos veio como um alento para igualar um pouco mais as mulheres aos homens. Picasso foi pai aos 70 anos. E quem somos nós para dizer que isso é certo ou errado para as mulheres? A sociedade é que vai ditar as regras conforme for ocorrendo o avanço da ciência."

fonte: O Tempo - MG














Por Dr. Cassio Sartorio
Ginecologista especialista em reprodução humana assistida

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

DST atingem 13% dos brasileiros e estão entre as causas de infertilidade em homens e mulheres




Em matéria da Folha de São Paulo desta semana, ficamos sabendo que pesquisa do Ministério da Saúde com 8.000 pessoas, de 15 a 64 anos revela que cerca 13% dos brasileiros com vida sexual ativa já tiveram doenças sexualmente transmissíveis (DST), sendo que parte significativa deles nem ao menos se trata. O que pouca gente sabe é que fora a Aids, que é bastante temida por todos, algumas dessas doenças são realmente sérias e podem levar à infertilidade e até a casos de câncer.


Mas apesar do número assustador de mais de 10 milhões e infectados no pais, é engraçado ver como as coisas mudam... Lembro-me claramente de quando comecei a exercer a medicina. Na época, atendia pacientes idosos e naquelas perguntas de rotina, quando os questionava sobre se já haviam tido alguma DST, eles enchiam o peito e falavam com muito orgulho: “Ih, doutor! Já tive sífilis umas quatro vezes e gonorréia umas três.” Isso talvez porque, para aquela geração, isso era o correspondente de "pegador" para os jovens de hoje.

Mais tarde, quando passei a exercer a função de médico militar, atendia os recrutas com gonorréia e esses já chegavam mais cabisbaixos, porque sabiam que aquilo era sinônimo que eles tinham feito burrada. Como não tinham usado preservativo, a chance de ter outra DST associada era alta e o que mais lhes preocupava era a AIDS.

Esses relatos só servem para exemplificar o que o Ministério da saúde vem notando ao longo do tempo: o número de casos de DST entre a geração acima dos 60 anos tem tido um aumento significativo. Esse grupo não teve acesso ao mesmo tipo de ações de prevenção que os jovens e, portanto, não foi tão estimulado a usar a camisinha, algo que o governo vem tentando mudar.

Outro fato alarmante é a atitude despreocupada de muitos adolescentes. Com o avanço das terapias, o HIV tem se tornado uma doença crônica, com sobrevida longa e, com isso, o impacto que a doença causa tem diminuído. Isso leva a uma diminuição dos cuidados em relação ao uso de preservativo nessa faixa etária, outra situação que as campanhas públicas têm procurado sanar.

Felizmente, a maior parte das DST tem tratamento curativo e, quando descobertas precocemente, não costumam deixar sequelas. O problema é que algumas são silenciosas, não causando sintomas e, por isso, só são descobertas tardiamente.

É o caso da Chlamydia, cuja sequela bastante comum é a obstrução tubária feminina, que leva à infertilidade. Já no homem, pode levar à inflamação da uretra e, mais raramente, à inflamação testicular.

O melhor jeito para se descobrir se, por acaso, você se contaminou numa relação desprotegida é procurando seu médico. Mas lembre-se: o melhor é sempre se prevenir das DST usando preservativo.

E, já que falei tanto do Ministério da Saúde, vou fazer mais uma propaganda para ele (só que tem de ser cantada o ano todo!):

Bota a Camisinha

Bota a camisinha
Bota meu amor
Que hoje tá chovendo
Não vai fazer calor

Bota a camisinha no pescoço
Bota geral
Não quero ver ninguém
Sem camisinha
Prá não se machucar
No Carnaval...

Por Dr. Cassio Sartorio
Ginecologista da equipe do Centro de Fertilidade da Rede D’Or