quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Escolher as características físicas e o sexo do bebê já é possível?

Esta semana tive acesso a dois textos interessantes sobre temas que precisam ser mais discutidos pela comunidade científica e, especialmente, pelos especialistas em reprodução assistida: a escolha de características físicas e de gênero dos bebês. Eu, particularmente, sou em princípio contra à sexagem. Por isso, gostei bastante do artigo do Dr. Joaquim Coelho, publicado no blog Infertilidade. Já o assunto tratado pela Veja enfoca também a possibilidade de escolher as características físicas dos bebês por meio do diagnóstico pré-implantacional do embrião: clique aqui e leia no site de Veja.

Para mim, escolher antecipadamente como um bebê virá ao mundo fere o princípio de que nascemos livres. Imagine-se a posição desta pessoinha que nasce para atender às expectativas de outros (no caso, seus próprios pais). O pequeno já vai nascer com uma algema. Penso que os filhos vêm para que possamos constituir famílias e a família serve para que cresçamos como seres humanos, aprendendo a lidar com as nossas diferenças. Isso, no final das contas, é se libertar e saber lidar com a nossa liberdade e a dos outros. A liberdade é o que a Mãe Natureza nos deu de mais precioso e, como médica que trabalha numa área tão delicada, procuro ter isso sempre em mente, e no coração, para nortear meus passos profissionais.

Dra. Maria Cecília Cardoso
Embriologista do Centro de Fertilidade da Rede D’Or

Riscos da automedicação com citrato de clomifeno


Vale a pena conferir o artigo do site Sexo e Relacionamentos sobre o Indux (citrato de clomifeno), medicamento que vem sendo utilizado sem controle por mulheres que desejam engravidar.

Como todos já sabem, não se deve tomar nenhum remédio sem consulta e prescrição médicas. Qualquer medicação pode ter efeitos colaterais e pode não só não trazer qualquer benefício como também prejudicar o paciente. O citrato de clomifeno (CLOMID e INDUX) é um excelente exemplo disso. Seu uso indiscriminado motivado muitas vezes por informações obtidas na internet - que divulgam a substância como uma “ajudinha” para os casais que estão tentando engravidar sem sucesso, pode ter um desfecho desastroso. O primeiro e mais simples dos problema é a frustação gerada pela não ocorrência da gravidez. Mas também existe o risco de uma gravidez tubárea ou, o que é pior, a síndrome de hiperestimulação ovariana. Isso sem contar os casos de gravidez múltipla, muitas vezes motivo de partos prematuros e recém-nascidos com problemas de saúde.

Por isso, se você tem até 35 anos está tentando engravidar há mais de um ano, ou se tem acima de 35 e está tentando há mais de seis meses sem sucesso, procure a opinião de um especialista. Dessa forma, além de não perder tempo, você não vai se expor a riscos desnecessários.

Dra. Maria Cecília Erthal
Ginecologista e especialista em reprodução assistida


Confira o artigo:

Tudo sobre o INDUX

A cada dia que passa me assusto mais com a quantidade de pessoas que acham que os remédios são milagrosos, que curam qualquer problema! Tenho visto diversas dúvidas na internet sobre o Citrato de Clomifeno, o famigerado Indux (ou o Clomid) e pessoas que insistem em tomar estes medicamentos sem orientação profissional adequada.

Vou tentar esclarecer algumas dúvidas. Pra começar, estes medicamentos são antagonistas dos estrógenos, ou seja, eles induzem o aumento da produção de FSH (hormônio folículo estimulante) e LH (Hormônio Luteilizante), que tem como resultado a ovulação, que ocorre geralmente de 6 a 12 dias depois da série.

Este medicamento só é indicado para mulheres que comprovadamente NÃO OVULAM de forma alguma. Algumas mulheres ficam desesperadas por não conseguirem engravidar e resolvem tomar estes medicamentos por conta própria, o que não é seguro ou indicado. Não são comuns mulheres que não ovulam, em geral a ovulação pode ser diminuída. O tratamento com Indux deve ser começado depois de descartadas todas as outras possibilidades de infertilidade: nem sempre é a mulher que não pode ter filhos, vários homens tem uma produção de espermatozóides diminuída, ou a maturação deles não é completa, ou o sêmen não é de boa qualidade; se desesperar e sair tomando remédio por aí não é a solução para ninguém.

Mesmo em mulheres, as causas da infertilidade são diversas. Há mulheres que têm falhas fisiológicas ou anatômicas, ou até distúrbios hormonais (de tireóide, por exemplo) e nestes casos o Indux não é o medicamento mais indicado.

Além disso, o remédio pode causar aborto (em 19% dos casos tratados ocorreram), gravidez ectópica, parto prematuro ou, quando tomado inadvertidamente no começo da gravidez, anomalias no feto (que ocorrem em 7 de cada 8 fetos). Pode diminuir a produção de leite, é contra-indicado para mulheres com disfunções hepáticas e é um perigo para pacientes com cistos ovarianos (podem aumentar o tamanho dos mesmos) ou com carcinomas endometrial.

Outros problemas muito sérios estão sendo estudados e relatados em artigos científicos com certa freqüência: defeitos no tubo neural do feto e síndrome de Down. Além dos problemas para o feto, são relatadas inúmeras reações adversas relacionadas ao Clomifeno, que em geral acabam com a suspensão do uso da droga.

O modo de usar é outro problema. Não é fácil de entender, por isso necessita ainda mais de acompanhamento médico. São 3 ciclos:

· 1° ciclo: 50mg (1 comprimido) por 5 dias. Em pacientes que não menstruam pode-se iniciar o tratamento em qualquer dia. Se ocorrer menstruação espontânea, deve-se tomar o medicamento no 5° dia do ciclo menstrual. Se a ovulação ocorrer no primeiro ciclo, não há necessidade de aumentar a dose nos outros 2.

· 2° e 3° ciclos: 100mg (2 comprimidos) por 5 dias, com começo após 30 dias do ciclo anterior. Não se deve ultrapassar a dosagem de 100mg por dia e mais ciclos além dos 3 são contra-indicados.

Outro efeito comum do medicamento, é a gestação múltipla. 7,9% das pacientes tratadas tiveram gêmeos (7%), trigêmeos (0,5%), quadrigêmeos (0,3%) e até quíntuplos (0,1%). Aí vem aquela idéia idiota: “Eu sempre sonhei em ter gêmeos, vou tomar o Indux pra alcançar o meu sonho!” Não seja burra, a chance de ter gêmeos é baixa e, além disso, pode causar danos para você, para a(s) criança(s)!

Outro uso um tanto inusitado (mas tão idiota quanto) que eu vi por aí, foi utilizar estes medicamentos como Anabolizantes. Estranho não? Mas não é mentira não. O Clomid aumenta a produção de testosterona e espermatogênese em homens. Além disso, ainda incentivam o uso do remédio concomitante com HCG (Gonadotrofina Coriônica), outro hormônio utilizado no tratamento da infertilidade feminina. Gente! Quer músculos? Vá malhar! Será que ninguém diz para estas pessoas que estes medicamentos podem causar aparecimento de caracteres femininos (aumento dos seios, afinar a voz, diminuição dos pêlos) e também impotência sexual?

É absurdo o uso abusivo dos remédios que as pessoas fazem ultimamente. Tem problemas para engravidar? Procure um médico, um especialista no assunto. Faça vários exames e só utilize medicamentos com orientação adequada. É mais seguro para você e para seu futuro bebê. O desespero não é bom conselheiro! Se você já tem uma idade mais avançada é ainda mais necessário que busque um profissional, em geral, mulheres mais velhas têm gravidez de risco e é essencial acompanhamento médico nestes casos!

Lembrem-se que mesmo que você não consiga ter filhos de forma convencional, ainda há chances pela fertilização in vitro! Pense bem, você não vai gastar seu dinheiro, seu tempo e suas esperanças à toa, não é?

Artigo por Miss Hayworth

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Fertilidade da mulher cai 90% depois dos 30 anos


Estudo de universidades escocesas revela que dos 30 aos 40 anos a reserva de óvulos potencialmente férteis se reduz até se tornar insignificante.

Fertilidade da mulher cai 90% depois dos 30 anos

Da EFE

Londres, 27 jan (EFE).- A dificuldade da mulher para engravidar depois dos 30 anos se deve ao fato de que até essa idade ela já utilizou quase 90% da reserva de óvulos, segundo revela um estudo conjunto das universidades de St. Andrews e Edimburgo, na Escócia.

Depois dos 30 anos, a mulher continua fabricando óvulo, e inclusive aos 40 anos, mas a reserva de óvulos potencialmente férteis se reduz até se tornar insignificante, detalha o estudo publicado hoje pelo diário britânico "Daily Telegraph".

A deterioração dos óvulos a partir dessa idade aumenta as dificuldades para conceber e eleva o risco que o bebê não seja sadio.

Esta é a primeira vez que os especialistas falam em "reserva de óvulos", referindo-se ao potencial fabricado por uma mulher ao longo de sua vida até a menopausa.

Segundo a pesquisa, uma mulher nasce com cerca de 300 mil potenciais células que podem se transformar em óvulo, embora a reserva decline a uma velocidade maior do que se imaginava até agora.

Ao completarem 30 anos, 95% das mulheres só têm 12% de suas reservas de óvulos e aos 40 anos as chances caem para 3%.

"O estudo demonstra que a mulher supervaloriza a possibilidade de gerar um filho", afirmou Hamish Wallace, co-autor do estudo.

Para Wallace, a pesquisa poderia ajudar a identificar quais mulheres terão menopausa adiantada e quando é o momento de congelar óvulos de doentes com câncer nos ovários.

Para os pesquisadores, muitas mulheres se enganam ao pensar que como estão fabricando óvulos sua fertilidade permanecerá inalterada.

O estudo descobriu que existem notáveis diferenças na capacidade de fabricar óvulos das mulheres. Enquanto algumas podem nascer com 2,5 milhões óvulos potenciais, outras têm apenas 35 mil.

Embora o corpo feminino só amadureça cerca de 450 óvulos ao longo da vida, os pesquisadores acreditam que quanto maior for o reservatório de óvulos potenciais, melhor será a qualidade destes para fertilizar.

Nessa pesquisa, os especialistas estudaram as reservas de ovários de 325 mulheres europeias e americanas de diferentes idades.

Ver esta matéria no portal G1

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

20 Dicas para você engravidar em 2010















Matéria Pais & Filhos com colaboração da Dra. Maria Cecília Erthal
por Anahi Martinho

SE VOCÊ INCLUIU EM SEUS PLANOS PARA 2010 AUMENTAR A FAMÍLIA, SIGA ESSES VINTE PASSOS QUE VÃO TE AJUDAR A TER UMA GRAVIDEZ SAUDÁVEL

1. Antes de tudo, vá ao médico. Ele vai te orientar, pedir alguns exames e ver se está tudo certo com a sua idade e condição física. Poderá detectar problemas de tireóide ou pressão, por exemplo, que podem interferir na gravidez.

2. Pare de fumar. O cigarro prejudica o desenvolvimento dos óvulos, retarda a concepção, aumenta as taxas de aborto espontâneo e antecipa a chegada da menopausa.

3. Pare de tomar o anticoncepcional É óbvio, ok, mas tem de ser três meses antes do previsto para engravidar. Às vezes, o efeito da pílula pode durar por mais tempo no corpo, mesmo depois que se para de tomar.

4. Comece a tomar ácido fólico. Este suplemento vitamínico ajuda a prevenir malformações no tubo neural do embrião. O ideal é começar a tomar três meses antes de engravidar.

5. Controle o peso. Quem está muito acima ou muito abaixo do peso pode ter facilmente distúrbios hormonais que afetam a fertilidade. Mantenha o Índice de Massa Corporal (IMC) entre 19 kg/m² e 25 kg/m² (para calcular seu IMC, divida o seu peso em quilos pelo quadrado da sua altura, em metros). Procure um nutricionista e, se preciso, comece sua dieta.

6. Alimente-se bem. Uma dieta equilibrada e bem variada, com alimentos leves, frutas, proteínas, ferro, cálcio e outros nutrientes garantem que o bebê se desenvolva da melhor forma possível na barriga da mãe. E é importante que a mãe tenha uma boa reserva desses nutrientes. Evite coisas que engordam muito e não trazem nenhum benefício, como frituras e excesso de carboidratos.

7. Beba bastante líquido. Na gestação, os rins podem reter o líquido, causando inchaço. Quanto mais água você beber, melhor eles vão funcionar. O ideal é tomar de seis a oito copos de líquido por dia. Um suplemento de vitaminas também pode ajudar.

8. Combata o estresse. Buscar qualidade de vida é fundamental para a saúde reprodutiva. Sob estresse, a mulher tem a libido e a imunidade diminuídas, o ciclo menstrual alterado e os hormônios desregulados.

9. Fique atenta ao ciclo menstrual. O dia mais fértil do mês ocorre bem no meio do ciclo, então se seu ciclo dura 28 dias (entre uma menstruação e outra), no 14º dia será o mais provável de você ovular e engravidar.

10. Conheça seu corpo. O muco vaginal costuma fica mais grosso e com uma consistência mais forte quando a mulher está ovulando. Fique atenta a esses sinais.

11. Tenha relações em dias alternados. Fazer sexo todos os dias pode deixar o sêmen do homem muito diluído.

12. Deixe tudo acontecer naturalmente. A relação sexual tem que ser natural, e não forçada, só para engravidar. No período ovulatório, a mulher fica naturalmente mais atrativa ao homem.

13. Faça exercícios sem exageros. Quem nunca fez uma atividade física não deve começar justo na gravidez. Caminhadas ou um alongamento são mais indicados.

14. Saiba mais sobre medicamentos. Alguns remédios de uso contínuo podem prejudicar a fertilidade ou até o desenvolvimento do bebê. Converse com seu médico sobre esses riscos.

15. Evite café, chá-preto e outras bebidas com cafeína, corantes, adoçantes artificiais com aspartame e ciclamato e pegue leve nos temperos para não ter náusea. Tudo isso você vai precisar controlar na gravidez, então que tal ir se acostumando desde já?

16. Passe longe da bebida alcoólica, que interfere no funcionamento dos ovários e pode causar irregularidades na menstruação e na ovulação e aumento do risco de aborto.

17. Tenha certeza de que não está grávida quando for fazer coisas que as grávidas não podem, como acompanhar seu filho mais velho em um raio-X, por exemplo.

18. Não perca tempo! Se você tem mais de 35 anos, não espere mais de seis meses para a gravidez acontecer naturalmente. Se estiver demorando demais, procure um especialista em fertilidade.

19. Fuja da poluição. Ela pode causar disfunções hormonais, abortos espontâneos, endometriose e até câncer de mama.

20. Oriente o pai. Sim, ele também pode fazer sua parte, evitando cigarro, bebida, anabolizantes, andar de moto (o aquecimento e pressão na região escrotal pode comprometer os espermatozóides) e, segundo alguns médicos acreditam, até passar muito tempo com o laptop no colo pode prejudicar sua fertilidade. O homem tem que se preocupar com a alimentação também, bebendo muito líquido e evitando a cafeína.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Principais causas de infertilidade masculina





Varicocele
A doença consiste na dilatação anormal de veias dos testículos e está presente em cerca de 10 a 20% dos homens (de adolescentes a adultos). Sua incidência pode chegar a dobrar dentro da população masculina com infertilidade. Apesar de a maioria dos portadores de varicocele ser fértil, a presença dessas dilatações nas veias dos testículos parece ocasionar alterações funcionais das gônadas e comprometer diretamente a qualidade seminal, por um mecanismo ainda pouco esclarecido. O diagnóstico pode se feito por palpação e/ou exames de imagem e o tratamento é cirúrgico. Aproximadamente 60 a 70% dos pacientes operados apresentam melhoria da qualidade do sêmen entre três e 12 meses após o procedimento. É importante lembrar que quando a mulher possui idade superior a 30 anos esperar a melhora da qualidade seminal do parceiro pode não ser a melhor opção, devido ao envelhecimento dos óvulos.

Infecções
As infecções que comprometem mais diretamente o sistema
reprodutivo dos homens são a clamídia e a gonorréia. Ambas são sexualmente transmitidas e acometem geralmente a uretra, porém podem envolver estruturas próximas, como epidídimos, testículos e próstata, e inclusive levar à infertilidade. O tratamento é feito com uso de antibióticos, devendo envolver o paciente e sua parceira.

Profissões que oferecem risco à qualidade seminal
Algumas atividades são realizadas em ambientes adversos à saúde reprodutiva. Dentre os fatores que comprometem a qualidade seminal, destacamos: calor excessivo; metais pesados; solventes orgânicos (presentes em tintas); radiação; atividade física excessiva; e estresse. Na identificação de um dos fatores, o acompanhamento da qualidade do sêmen é recomendado. No caso em que é verificada a piora progressiva dos parâmetros analisados, pode ser interessante o congelamento do sêmen.

Hábitos de vida
O tabagismo pode comprometer a motilidade dos espermatozóides. O álcool em excesso também produz alterações na esteroidogênese, o que pode levar à diminuição da concentração de espermatozóides. Drogas ilícitas como maconha e cocaína também podem ter ação deletéria sobre a espermatogênese. Além disso, o uso frequente de laptop no colo pode provocar o aumento da temperatura dos testículos e produzir efeito negativo sobre os parâmetros seminais.

Traumas
Traumas, sejam acidentais, sejam decorrentes de procedimentos cirúrgicos envolvendo os testículos e a via seminal, podem gerar a presença de anticorpos antiespermatozóides, levando à aglutinação dos espermatozóides e uma possível alteração do comportamento do sêmen no trato reprodutivo feminino.

Azoospermia
Essa é a ausência total de espermatozóide no sêmen ejaculado. As possíveis causas incluem falência dos testículos em produzir espermatozóides ou obstrução/ ausência de algum dos vasos que levam os espermatozóides para o meio externo. Aproximadamente, de 15% a 20% dos homens inférteis são azoospérmicos. Quando a causa é obstrutiva, é possível coletar espermatozóides através da biópsia testicular.

Ejaculação retrógrada
Em pacientes com esse problema, durante o orgasmo, o conteúdo seminal é levado para a bexiga. Neste caso, a obtenção de espermatozóides pode ser feita na urina pós-ejaculação.