quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Ética e reprodução humana assistida


Após ler o texto do teólogo Dr. Frei Antonio e, depois de muito ouvir e pesquisar sobre o recente escândalo na área de medicina reprodutiva, achei que deveria expor minha opinião como alguém que há muitos anos se dedica ao trabalho na área.

A especialidade, que abrange o tratamento da infertilidade conjugal em todas as formas de manifestação, está em pleno crescimento e desenvolvimento por todo o mundo. Não se mostra com sombras, mas, ainda, com muitas interrogações. Existem diversos profissionais envolvidos em pesquisa de ponta e esforços não são poupados para atingir os melhores resultados.

Todos os casais têm direito a desejar um filho. O corpo feminino, mensalmente, se prepara para a concepção e tem sua anatomia desenhada para gravidez e parto. Mas a humanidade vem criando condições cada vez piores para a fertilidade. Inventamos o agrotóxico, poluímos a água que consumimos e o ar que respiramos. Com a vida moderna, a mulher também passou a ter mais opções para escolher o momento da gravidez, muitas vezes priorizando a vida profissional e financeira. Por tudo isso, a procura pelas clinicas de tratamento da fertilidade vem aumentando substancialmente.

Os procedimentos envolvem alto padrão científico e tecnologia avançada, necessitando de pessoas capacitadas e bem preparadas para lidar, não só com a questão médica, como também com o aspecto psicológico que a situação exige. Para a maioria desses profissionais, a ética é prioridade e o respeito ao paciente, fundamental.

Os procedimentos investigados nesse episódio, da maneira e com a finalidade que se supõe, não são difundidos em outras clínicas do Brasil ou do mundo. Não existe respaldo científico para tais métodos.

A comunidade científica pode e deve debater questões éticas tais como quando a vida começa: a partir do embrião que está no laboratório, ou do batimento cardíaco na vida intrauterina. Podemos discutir sobre a união de casais homoafetivos e o direito sobre a formação da família. Podemos discutir também sobre o congelamento e o destino desses embriões.

Contudo, as denúncias específicas que envolvem o episódio precisam ser discutidas de forma particular e no âmbito judicial. É preciso muito critério para que essas acusações não passem a resvalar nos demais profissionais da área. Não se pode julgar todos por um.

Como acontece em qualquer especialidade, o paciente tem que ter critérios quando opta pelo médico que vai atendê-lo. A ética e o respeito ao ser humano fazem parte da vida e da formação de todos os profissionais, sejam eles médicos, engenheiros, advogados ou professores.

Uma legislação mais específica, que regulamente o serviço de reprodução humana assistida, é certamente benvinda. Todas as questões éticas devem ser plenamente debatidas dentro de um conselho de bioética e, uma vez legisladas, precisam ser rigorosamente fiscalizadas. Esse cuidado é o que garantirá seu cumprimento à risca no futuro, dando cada vez mais segurança aos pacientes, o que, no final das contas é nosso principal dever como médicos.

Dra. Maria Cecília Erthal
Médica ginecologista e especialista em reprodução humana assistida

17 comentários:

elaine lima disse...

Olá eu tenho só uma trompa boa a outra é entupida,ovulo todo mês mas não consigo engravidar,gostari de saber qual o tratamento indicado para que eu comece á fazer; Inseminão o fertilização.Quero começar logo qual o valor de consulta.poiso endereço já tenho. Obrigada pela atenção. Tenho 36 NOS E MEU ESPOSO 32.

Dona Comunicação disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vida - Centro de Fertilidade da Rede D'Or disse...

Querida Elaine,

Precisa de mais detalhes para indicar o melhor tratamento para você
Marque uma consulta com um médico de nossa equipe, teremos prazer em atendê-la!

Dra. Beatriz Tupinambá
Ginecologista e especialista em Reprodução Humana Assistida
CRM: 52.82962-5

Vitoria Cordeiro disse...

Olá, tenho 21 anos , sou casada a 2 anos e eu e meu marido gostaríamos muito de ter gêmeos pois planejamos ter apenas dois filhos. Não temos históricos na familia de gêmeos e gostaríamos de saber se é possível a realização desde sonho visto que ambos não temos problemas para engravidar. A gestação assistida é possível? O que é mais recomendável?

Vida - Centro de Fertilidade da Rede D'Or disse...

Olá, Vitoria!

Os tratamentos de reprodução assistida objetivam auxiliar os casais que possuem algum problema a engravidar. Como qualquer tratamento, existem prós e contras. Quando não há um problema e não há um diagnóstico, não existe indicação para realizá-lo.
O objetivo do tratamento é a gravidez, e não a gravidez gemelar.
Sendo assim, aconselhamos que você tente engravidar primeiro, e se não conseguir, converse com seu médico. Só ele poderá avaliar a necessidade de um tratamento, que pode gerar uma gravidez de gêmeos ou não, por não ser esse o objetivo.

Boa sorte!

Atenciosamente,

Dra. Alessandra Evangelista
Ginecologista e obstetra, especialista em Reprodução Humana Assistida
CRM: 52.78.093-6

Anônimo disse...

Por favor me esclareça uma duvida. Tenho 25 anos e meu marido tem 43 anos e fez vasectomia ha 9 anos atras. Qual é o melhor procedimento nesse caso para ter filho, a reversão da vasectomia facilitaria para fazer inseminação artificial? Ou seria melhor fazer a fertilização in vitro? Não gostaria de ter mais de um filho, qual é a melhor indicação nesse caso? Agradeco muito desde já!

Vida - Centro de Fertilidade da Rede D'Or disse...

Olá,

A avaliação da possibilidade de reversão deve ser feita por um urologista. Caso seja possível fazê-la, após o procedimento será feito um novo espermograma que vai evidenciar o número e a qualidade dos espermatozoides para, então, definir qual o melhor tratamento. Caso não seja factível fazer a reversão, será indicada a fertilização in vitro. Outros fatores que possam dificultar a gestação espontânea também devem ser avaliados pois, na presença de um deles, a reversão pode ser contra-indicada. Tanto a fertilização quanto a inseminação podem ocasionar gestação gemelar, mas não é o objetivo. Sendo assim, converse com o médico que lhe acompanhar sobre seu desejo de ter apenas um filho.

Boa sorte!

Atenciosamente,
Dra. Alessandra Evangelista
Ginecologista e obstetra, especialista em Reprodução Humana Assistida
CRM: 52.78.093-6

Michelle Triscado disse...

Tenho 38 anos sou operada tenho 2 filhos, sou diabética, hipertrnsa e tenho sobrepeso, tenho possibilidade de fazer uma inseminação??

Vida - Centro de Fertilidade da Rede D'Or disse...

Olá, Michelle!

A indicação de tratamentos contra infertilidade varia de paciente para paciente. O ideal seria ter uma consulta e avaliar suas possibilidades. Pacientes submetidas à inseminação necessitam de trompas funcionantes, ao contrário da fertilização in vitro .
Procure uma consulta para avaliar suas possibilidades e saber que tipo de tratamento seria melhor e adepto a você.

Atenciosamente!

Dra. Beatriz Tupinambá
Ginecologista e obstetra, especialista em reprodução humana assistida
CRM: 52.82962-5

Audrey disse...

Olá, tenho 25 anos meu marido 30 tentamos engravidar a 4 anos e até agora não obtivemos nenhum resultado, após vários exames descobrimos que ele tem baixa contagem de espermatozóides aproximadamente 10 mil, e eu não tenho nenhum problema para engravidar porém sou operada de hérnia de disco na região lombar. Gostaria de saber os riscos de uma gravidez de gêmeos, pois pretendo iniciar o tratamento em breve.

Vida - Centro de Fertilidade da Rede D'Or disse...

Olá!
Tudo bem?

A gestação gemelar apresenta riscos maternos como anemia, diabetes e hipertensão e fetais, como o aumento da incidência de má formações congênitas, placentação anormal, desordens do líquido amniótico, crescimento discordante entre os gêmeos e nascimento prematuro.

Desta forma, apesar de reconhecer que os tratamentos de reprodução assistida aumentam o risco de ocorrência da gestação gemelar, eles não têm nem o objetivo nem mesmo a obrigatoriedade de gerá-la.

Sugiro que você procure um atendimento especializado, para uma avaliação mais detalhada do seu caso e para melhor esclarecer suas dúvidas.

Atenciosamente,

Dra. Vivian Sant'Anna
Ginecologista e obstetra, especialista em reprodução humana assistida
CRM: 52.79756-1

Patricia Castriola disse...

Sou lésbica e quero ter um filho qual seria a melhor opção a inseminação ou a reprodução in vitro e de quanto mais ou menos seria o custo com e sem doador aqui no RJ

Vida - Centro de Fertilidade da Rede D'Or disse...

Olá!

Inseminação - R$2500,00 sem medicações
Sêmen - R$2500,00+ frete de R$490,00;
Fertilização in vitro - R$13.000,00 sem medicações, amostra R$ 1.801,00 + frete R$ 490,00;

Atenciosamente.

Equipe do Vida - Centro de Fertilidade da Rede D'Or

Katerrine Costa Garcia Eosado disse...

A 8 anos tento engravidar eu nao tenho problemas nem meu esposo tem problemas ja fizemos todos os exames mesmo sem problema aparente mais sem conseguir engravidar posso fazer a FIV?

Vida - Centro de Fertilidade da Rede D'Or disse...

Olá!

Quando não é possível identificar uma causa para que o casal não consiga ter filhos, mesmo após uma investigação clínica minuciosa, chamamos de infertilidade sem causa aparente. Essa situação é mais comum do que se imagina e acomete 10% dos casais que não conseguem engravidar naturalmente. Nesses casos, a fertilização in vitro pode ser indicada, principalmente quando o casal já vem tentando engravidar há muito tempo. É fundamental a avaliação de um especialista, para que o caso seja diagnosticado e conduzido de maneira adequada.

Atenciosamente,

Dra. Joana Martins Leal
Ginecologista e obstetra, especialista em reprodução humana assistida
CRM: 52.85410-7

Sara Felipe disse...

Olá tenho 2 filhos cesariana tenho 30,gostaria de gravidez de gêmeo pela inseminação

Vida - Centro de Fertilidade da Rede D'Or disse...

Olá, Sara! A inseminação intrauterina é indicada para algumas pacientes com dificuldade de engravidar, o que não parece ser o seu caso. Além disso, ela não garante a gestação gemelar, apenas aumenta um pouco a chance disso acontecer em alguns casos.

Um abraço,

Dra. Gabriela Vieira
Ginecologista e especialista em Reprodução Humana Assistida