segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

20 Dicas para você engravidar em 2010















Matéria Pais & Filhos com colaboração da Dra. Maria Cecília Erthal
por Anahi Martinho

SE VOCÊ INCLUIU EM SEUS PLANOS PARA 2010 AUMENTAR A FAMÍLIA, SIGA ESSES VINTE PASSOS QUE VÃO TE AJUDAR A TER UMA GRAVIDEZ SAUDÁVEL

1. Antes de tudo, vá ao médico. Ele vai te orientar, pedir alguns exames e ver se está tudo certo com a sua idade e condição física. Poderá detectar problemas de tireóide ou pressão, por exemplo, que podem interferir na gravidez.

2. Pare de fumar. O cigarro prejudica o desenvolvimento dos óvulos, retarda a concepção, aumenta as taxas de aborto espontâneo e antecipa a chegada da menopausa.

3. Pare de tomar o anticoncepcional É óbvio, ok, mas tem de ser três meses antes do previsto para engravidar. Às vezes, o efeito da pílula pode durar por mais tempo no corpo, mesmo depois que se para de tomar.

4. Comece a tomar ácido fólico. Este suplemento vitamínico ajuda a prevenir malformações no tubo neural do embrião. O ideal é começar a tomar três meses antes de engravidar.

5. Controle o peso. Quem está muito acima ou muito abaixo do peso pode ter facilmente distúrbios hormonais que afetam a fertilidade. Mantenha o Índice de Massa Corporal (IMC) entre 19 kg/m² e 25 kg/m² (para calcular seu IMC, divida o seu peso em quilos pelo quadrado da sua altura, em metros). Procure um nutricionista e, se preciso, comece sua dieta.

6. Alimente-se bem. Uma dieta equilibrada e bem variada, com alimentos leves, frutas, proteínas, ferro, cálcio e outros nutrientes garantem que o bebê se desenvolva da melhor forma possível na barriga da mãe. E é importante que a mãe tenha uma boa reserva desses nutrientes. Evite coisas que engordam muito e não trazem nenhum benefício, como frituras e excesso de carboidratos.

7. Beba bastante líquido. Na gestação, os rins podem reter o líquido, causando inchaço. Quanto mais água você beber, melhor eles vão funcionar. O ideal é tomar de seis a oito copos de líquido por dia. Um suplemento de vitaminas também pode ajudar.

8. Combata o estresse. Buscar qualidade de vida é fundamental para a saúde reprodutiva. Sob estresse, a mulher tem a libido e a imunidade diminuídas, o ciclo menstrual alterado e os hormônios desregulados.

9. Fique atenta ao ciclo menstrual. O dia mais fértil do mês ocorre bem no meio do ciclo, então se seu ciclo dura 28 dias (entre uma menstruação e outra), no 14º dia será o mais provável de você ovular e engravidar.

10. Conheça seu corpo. O muco vaginal costuma fica mais grosso e com uma consistência mais forte quando a mulher está ovulando. Fique atenta a esses sinais.

11. Tenha relações em dias alternados. Fazer sexo todos os dias pode deixar o sêmen do homem muito diluído.

12. Deixe tudo acontecer naturalmente. A relação sexual tem que ser natural, e não forçada, só para engravidar. No período ovulatório, a mulher fica naturalmente mais atrativa ao homem.

13. Faça exercícios sem exageros. Quem nunca fez uma atividade física não deve começar justo na gravidez. Caminhadas ou um alongamento são mais indicados.

14. Saiba mais sobre medicamentos. Alguns remédios de uso contínuo podem prejudicar a fertilidade ou até o desenvolvimento do bebê. Converse com seu médico sobre esses riscos.

15. Evite café, chá-preto e outras bebidas com cafeína, corantes, adoçantes artificiais com aspartame e ciclamato e pegue leve nos temperos para não ter náusea. Tudo isso você vai precisar controlar na gravidez, então que tal ir se acostumando desde já?

16. Passe longe da bebida alcoólica, que interfere no funcionamento dos ovários e pode causar irregularidades na menstruação e na ovulação e aumento do risco de aborto.

17. Tenha certeza de que não está grávida quando for fazer coisas que as grávidas não podem, como acompanhar seu filho mais velho em um raio-X, por exemplo.

18. Não perca tempo! Se você tem mais de 35 anos, não espere mais de seis meses para a gravidez acontecer naturalmente. Se estiver demorando demais, procure um especialista em fertilidade.

19. Fuja da poluição. Ela pode causar disfunções hormonais, abortos espontâneos, endometriose e até câncer de mama.

20. Oriente o pai. Sim, ele também pode fazer sua parte, evitando cigarro, bebida, anabolizantes, andar de moto (o aquecimento e pressão na região escrotal pode comprometer os espermatozóides) e, segundo alguns médicos acreditam, até passar muito tempo com o laptop no colo pode prejudicar sua fertilidade. O homem tem que se preocupar com a alimentação também, bebendo muito líquido e evitando a cafeína.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Principais causas de infertilidade masculina





Varicocele
A doença consiste na dilatação anormal de veias dos testículos e está presente em cerca de 10 a 20% dos homens (de adolescentes a adultos). Sua incidência pode chegar a dobrar dentro da população masculina com infertilidade. Apesar de a maioria dos portadores de varicocele ser fértil, a presença dessas dilatações nas veias dos testículos parece ocasionar alterações funcionais das gônadas e comprometer diretamente a qualidade seminal, por um mecanismo ainda pouco esclarecido. O diagnóstico pode se feito por palpação e/ou exames de imagem e o tratamento é cirúrgico. Aproximadamente 60 a 70% dos pacientes operados apresentam melhoria da qualidade do sêmen entre três e 12 meses após o procedimento. É importante lembrar que quando a mulher possui idade superior a 30 anos esperar a melhora da qualidade seminal do parceiro pode não ser a melhor opção, devido ao envelhecimento dos óvulos.

Infecções
As infecções que comprometem mais diretamente o sistema
reprodutivo dos homens são a clamídia e a gonorréia. Ambas são sexualmente transmitidas e acometem geralmente a uretra, porém podem envolver estruturas próximas, como epidídimos, testículos e próstata, e inclusive levar à infertilidade. O tratamento é feito com uso de antibióticos, devendo envolver o paciente e sua parceira.

Profissões que oferecem risco à qualidade seminal
Algumas atividades são realizadas em ambientes adversos à saúde reprodutiva. Dentre os fatores que comprometem a qualidade seminal, destacamos: calor excessivo; metais pesados; solventes orgânicos (presentes em tintas); radiação; atividade física excessiva; e estresse. Na identificação de um dos fatores, o acompanhamento da qualidade do sêmen é recomendado. No caso em que é verificada a piora progressiva dos parâmetros analisados, pode ser interessante o congelamento do sêmen.

Hábitos de vida
O tabagismo pode comprometer a motilidade dos espermatozóides. O álcool em excesso também produz alterações na esteroidogênese, o que pode levar à diminuição da concentração de espermatozóides. Drogas ilícitas como maconha e cocaína também podem ter ação deletéria sobre a espermatogênese. Além disso, o uso frequente de laptop no colo pode provocar o aumento da temperatura dos testículos e produzir efeito negativo sobre os parâmetros seminais.

Traumas
Traumas, sejam acidentais, sejam decorrentes de procedimentos cirúrgicos envolvendo os testículos e a via seminal, podem gerar a presença de anticorpos antiespermatozóides, levando à aglutinação dos espermatozóides e uma possível alteração do comportamento do sêmen no trato reprodutivo feminino.

Azoospermia
Essa é a ausência total de espermatozóide no sêmen ejaculado. As possíveis causas incluem falência dos testículos em produzir espermatozóides ou obstrução/ ausência de algum dos vasos que levam os espermatozóides para o meio externo. Aproximadamente, de 15% a 20% dos homens inférteis são azoospérmicos. Quando a causa é obstrutiva, é possível coletar espermatozóides através da biópsia testicular.

Ejaculação retrógrada
Em pacientes com esse problema, durante o orgasmo, o conteúdo seminal é levado para a bexiga. Neste caso, a obtenção de espermatozóides pode ser feita na urina pós-ejaculação.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Principais causas de infertilidade feminina





Problemas ovulatórios e falência ovariana prematura
A disfunção ovulatória é a principal causa de infertilidade nas mulheres. Normalmente, ocorre por uma falha na produção hormonal, problemas no ciclo menstrual, ou nos próprios ovários. Ultimamente, os especialistas têm notado uma frequência cada vez maior de outro problema: a falência precoce da função dos ovários (em idade onde não é comum ocorrer a menopausa). Não se conhece a causa do distúrbio, mas acredita-se que esteja relacionado à grande quantidade de substâncias tóxicas que consumimos e com as quais entramos em contato diariamente (inclusive nicotina e álcool), ao stress e a algumas formas de doenças autoimunes (quando o organismo produz substâncias agressoras contra ele próprio). As mulheres com essa alteração ovariana menstruam normalmente e só vão descobrir que seus ovários estão falhando, quando fazem determinadas dosagens hormonais, ou quando passam pelo processo de estímulo da ovulação, com uso de medicamentos durante um tratamento para engravidar, e se deparam com uma resposta ovariana abaixo do esperado, ou até mesmo inexistente.

Síndrome dos ovários policísticos (SOP)
Causada por um desequilíbrio na produção de hormônios, a SOP pode provocar alterações no ciclo menstrual (desde longos intervalos entre uma menstruação e outra a até ausência de menstruação) levando a uma disfunção na ovulação e, consequentemente, à dificuldade em se obter a gestação. Além disso, pode casuar o aparecimento de pelos em locais inconvenientes, aumento da oleosidade da pele, com surgimento de acne e acúmulo de gordura abdominal.

Endometriose
Doença complexa, cuja causa não se sabe ao certo até os dias de hoje. Ela se desenvolve no aparelho reprodutor feminino e atinge cerca de 15% das mulheres em idade fértil. Ocorre quando o endométrio, que é a camada interna do útero eliminada durante a menstruação, atinge outros órgãos do corpo. Ovários, trompas de Falópio e até mesmo intestino, bexiga, vagina e outros órgãos mais distantes podem ser comprometidos. Provoca dor pélvica crônica e fortes cólicas menstruais, além de dor durante o ato sexual. Causa aderência e inflamações na região pélvica, interferindo negativamente em todos os processos que envolvem a fertilização de forma espontânea.

Obstrução tubárea
As trompas são o caminho por onde passam os óvulos em direção ao útero. É ali que ocorre o encontro de óvulos e espermatozóides, após a relação sexual. É lá também que os embriões iniciam sua formação. Portanto, se alguma coisa entope esse pequeno tubo, fica impossibilitada a fertilização. Os laboratórios de fertilização in vitro têm, na verdade, a missão de substituir o papel das trompas. Na maioria dos casos, a obstrução é causada por inflamações no aparelho genital feminino, sendo a clamídia um dos microrganismos mais frequentemente envolvidos nesse processo.

Miomas
Os miomas podem afetar a função do útero, que recebe o embrião proveniente das trompas. Contudo, raramente são causa de infertilidade, somente quando crescem para dentro do útero ou quando estão posicionados em locais que comprimem a passagem dos embriões. Na maioria das vezes, são tratados cirurgicamente, hoje já com opções minimamente ou nada invasivas.

Idade avançada
Com a mudança de comportamento social feminino, entrada no mercado de trabalho e acúmulo de funções, é comum o adiamento da decisão pela gravidez. Porém, o ovário entra em franco processo de envelhecimento a partir dos 35 anos, diminuindo não só a quantidade de óvulos da sua reserva, como sua qualidade. Por esses motivos, a queda na fertilidade e na chance de engravidar é observada a partir dessa idade, sendo considerada uma das causas de infertilidade no mundo atual. Orientações e aconselhamentos devem ser feitos, para que os casais adquiram a consciência de que o pico da fertilidade feminina ocorre entre 20 e 30 anos.

Alterações da tireóide
Existem vários distúrbios da tireóide, mas os mais comuns são o hipotireoidismo (baixa ou nenhuma produção de hormônios) e o hipertireoidismo (produção exagerada de hormônios). O desequilíbrio hormonal causado pelas alterações pode se refletir no funcionamento dos ovários.

Aumento da prolactina
A alteração deste hormônio, responsável pelo estímulo das glândulas mamárias para a produção de leite, pode levar a alterações no ciclo menstrual e prejudicar o funcionamento dos ovários, interferindo produção de óvulos.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Conhecer as principais causas da infertilidade é o primeiro passo para realizar o sonho da gravidez




Cerca de dois em cada 10 casais em todo o mundo são inférteis. Mulheres e homens dividem igualmente a responsabilidade quando se trata de dificuldades para engravidar. Em 30% dos casos, as razões estão ligadas ao organismo feminino, em outros 30%, ao masculino e mais 30% resultam da combinação de fatores de ambos. Os 10% restantes não conseguem ao menos chegar a um diagnóstico que explique a falta de concepção.

Uma mulher jovem que mantenha relações sexuais durante seu período fértil tem, em média, 25% de chance de engravidar em um mês. Para os casais que desejam engravidar, porém, é normal a ansiedade pelo resultado positivo. Apenas se a parceira está acima dos 30 anos e após um ano de vida sexual ativa permanece sem engravidar, ou, tem mais de 40 anos e seis meses de tentativas sem sucesso, é hora de procurar ajuda médica.

No momento em que um casal começa a desconfiar que tenha esse tipo de dificuldade, o mais indicado é manter a tranquilidade e procurar entender melhor os prováveis motivos do problema. A boa notícia é que estudos recentes indicam que mesmo nos episódios em que a questão é médica, cerca de 95% dos homens e mulheres que recorrem a tratamentos conseguem ter filhos.

Para esclarecer as dúvidas iniciais, os especialista do Centro de Fertilidade da Rede D'Or, coordenados pela especialista em reprodução assistida Maria Cecília Erthal estão prepararam um breve manual com as principais causas de infertilidade em homens e mulheres. Nas próximas postagens, veja aqui os principais problemas que levam à infertilidade de homens e mulheres.

Doação de esperma

Mesmo sabendo que a discriminação por homossexuais nos bancos de sangue e sêmen já é coisa do passado (por há muito tempo já não existir relação concreta entre orientação sexual e doenças sexualmente transmissíveis), achei a matéria do portal Terra muito exata e esclarecedora em relação às dúvidas sobre a doação de sêmen. Vale a pena ler!

Maria Cecília Cardoso
Diretora científica do Centro de Fertilidade da Rede D'Or

Doação de esperma ainda enfrenta preconceitos no Brasil

Matéria do site Terra, por Claudio Pucci

A imprensa norte-americana noticiou recentemente o aparecimento de um mercado informal de esperma nos Estados Unidos, onde jovens altruístas ofereciam seu sêmem gratuitamente a mulheres que queiram eventualmente engravidar.

Lá fora, esse tipo de oferta aparece aos montes em sites famosos como Craiglist e em grupos no Yahoo, além obviamente em locais como the Free Fertility Clinic e Feelingbroody.com.

Os motivos que levam essas pessoas a oferecer sua semente são variados, e vão de ajudar a comunidade a escapar dos inúmeros exames que as clínicas de doação exigem para aprovação de um exemplar , e que pode acabar frustrando a quem quer fazer o bem.

E com certeza estamos falando de gente que quer ajudar mesmo mães solteiras, lésbicas e casais que não podem gerar filhos a realizar seu sonho, porque nos Estados Unidos as clínicas especializadas pagam até 50 dólares pela doação.

E essa indústria é tão forte que existe até um site onde você vê a foto do doador e se ele é parecido com alguma celebridade, ou seja, ideal para aquelas mulheres que sonham em gerar um George Clooney como filhote.

No Brasil a coisa muda totalmente de figura, uma vez que, pela legislação, nenhuma doação pode ser cobrada, seja de sêmen, sangue ou órgãos, para justamente evitar que pessoas arrisquem sua vida ganhando dinheiro com isso ou que escondam informações importantes de seu histórico médico com receio de serem recusados.

Assim, no caso de espermatozóides fortes o bastante para conseguir fecundar um óvulo, tudo depende da caridade de estranhos.

A médica Vera Feher montou há cerca de 19 anos o banco de esperma do Hospital Albert Einstein em São Paulo. Há dois anos, quando o hospital resolveu se concentrar somente em clinicar e abandonou o banco, ela fundou a Pro-Seed, um dos mais modernos centros de coletas de esperma do Brasil.

Segundo ela, hoje o número de novos doadores caiu bastante. Se antes ela conseguia de cinco a seis novos altruístas por mês, hoje esse número não passa de dois. "As pessoas tem muito receio de que um dia alguém vai encontrar uma criança parecida consigo e que tenha que assumir uma paternidade forçada, mas isso não pode acontecer porque as doações são 100% anônimas. As clínicas de fertilização assistida recebem a amostra com um número apenas. O doador nunca é identificado", afirmou a especialista.

Casais ou mulheres solteiras que queiram engravidar podem optar hoje por dois processos: o de inseminação artificial, que custa em torno de R$ 9.600 e o de fertilização in vitro (de R$ 12 a 13 mil).

Obviamente que o sêmen escolhido vai respeitar as características físicas e étnicas de quem o está adquirindo e o doador geralmente deverá ter os mesmos traços.

Outro ponto que afasta potenciais fornecedores de esperma é o rigor do processo, já que o homem deve fazer um espermograma e exame de sangue antes da doação em si (a clínica se encarrega disso e não há custo ao doador).

Entre as primeiras entrevistas, esses exames e a doação, pode-se levar cerca de seis meses. O que acontece é que existe um grande e necessário rigor para escolha de um bom doador.

Certas doenças na família como diabetes e câncer, entre outras, são motivos para descartar um homem, assim como enfermidades hereditárias. Além disso, somente 20% dos espermas doados são aceitos no final. "Um homem tem em média 30 milhões de espermatozóides por mililitro e cerca de 50% deles tem mobilidade progressiva, ou seja, nadam. Um esperma ideal para doação deve ter 80 milhões de espermatozóides por mililitro com a mesma porcentagem de nadadores", explicou Vera.

Isso não deveria, porém afastar quem quer ajudar pessoas a realizar o sonho da maternidade ou paternidade. No Brasil, aliás, os doadores constantes são justamente aqueles que já doam seu sangue e que já se dispuseram a entregar seus órgãos no post-mortem, no geral homens mais maduros e que tem ciência da finalidade de um banco de esperma.

Completando esse público existem também aqueles homens que, por conhecerem alguém na família ou no círculo de amizade que tem problemas de fertilidade, acabam se motivando para ir a uma clínica como a Pro-Seed.

Homens entre 18 e 45 anos, heterossexuais (o processo segue as mesmas regras da doação de sangue, ou seja, homossexuais estão descartados) podem fazer os exames gratuitamente nas clínicas de doação.

A coleta é feita com o indivíduo sozinho em uma sala própria através de masturbação (não existe nenhum outro método, especialmente um chinês que circulou pela internet), ou seja, é fácil e não causa efeitos colaterais, especialmente o aparecimento de uma criança na sua porta anos depois gritando "papai" (lembramos mais uma vez que o doador nunca é identificado).

Assim, através desta prazerosa boa ação, você poderá ajudar muita gente. E, finalmente, lembre-se das palavras do sensacional grupo inglês de comédia, Monty Python no filme O Sentido da Vida: todo esperma é sagrado, todo esperma é ótimo.

Especial para Terra

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Manual da infertilidade é matéria jornal do Bom Dia Brasil

Dra. Maria Cecília Erthal falou ao jornal Bom Dia Brasil desta quarta-feira, 18 de novembro, a respeito das principais causas da infertilidade.



Especialistas em infertilidade preparam manual para casais

A constatação mais recente é que o excesso de trabalho e o estresse podem provocar envelhecimento precoce dos ovários.

Para ajudar os casais nesse momento difícil, especialistas do Rio de Janeiro preparam manual com orientações para homens e mulheres que querem ter filhos.

Menino ou menina? É a cara do pai ou é igualzinho à mãe? Uma alegria que para muitos casais pode parecer distante, às vezes, quase impossível. Dois em cada dez casais não conseguem ter filhos – 30% por problemas físicos da mulher, 30%, do homem e outros 30% dos casos por questões femininas e masculinas. Somente 10% não podem ser diagnosticados.

As causas mais frequentes da infertilidade feminina são: problemas nos ovários, endometriose e miomas. Já entre os homens são as infecções, os hábitos de vida e os traumas.

Hoje a ciência já sabe que outros fatores podem aumentar ainda mais as dificuldades para as mulheres engravidarem, como por exemplo, o uso do álcool, do tabaco e dos anabolizantes, a poluição ambiental. A constatação mais recente é que o excesso de trabalho e o estresse podem provocar o envelhecimento precoce dos ovários.

A médica Maria Cecília Erthal lidera um grupo de especialistas em reprodução humana que está preparando o manual da infertilidade. Ela não tem dúvida: a sobrecarga de responsabilidades da mulher precisa ser repensada pelo casal que quer ter filhos.

“O número de horas trabalhadas está excessivo, tem que diminuir. O tipo de trabalho causa estresse, tem que mudar, repensar se esse é o lugar onde você deveria estar. A mulher tem que decidir, optar em doar parte da vida para a família e parte para a vida profissional”, aponta a médica Maria Cecília Erthal.

Genildo Dias dos Santos e Hedlane Lima dos Santos procuraram ajuda médica. A primeira razão de ela não ter ficado grávida já foi descoberta: uma endometriose, mas, o tratamento inclui também uma mudança de vida.

“A médica disse que eu tinha que tomar jeito: fazer o tratamento, regularizar os horários para que tudo dê certo”, lembra a empresária Hedlane Lima dos Santos.

“No começo, colocamos a empresa em primeiro lugar. Agora, a vida pessoa é prioridade”, compara o empresário Genildo Dias dos Santos.

Para que Pedro chegasse, a mãe precisou de tratamento, já Eduarda veio naturalmente. A comerciante Fabiana Schamis Barbosa acha que a cobrança pela maternidade é enorme e que pode até acabar com um casamento: “Os dois têm que querer muito um filho e, juntos, lutar por esse sonho. Se só um estiver nesse lado da estrada, desanda. Mas compensa. Cada sofrimento que pode ter tido compensa”.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ética em reprodução humana assistida


Os limites necessários para quem lida com o surgimento da vida dentro de um laboratório

Os recentes episódios vexaminosos na área de reprodução humana assistida levaram a conhecimento público uma série de irregularidades na prática dessa especialidade da medicina, que vem evoluindo consideravelmente nos últimos anos. Comenta-se que a falta de uma legislação específica é o que permite que certos desvios ocorram. No entanto, os médicos que lidam com tratamentos de fertilidade, assim como os demais, são regulamentados pelo Conselho Federal de Medicina - CFM, além frequentarem congressos nacionais e internacionais, em que temas relacionados à ética da profissão são exaustivamente abordados. O profissional que não impõe limites a si mesmo por se sentir protegido pela falta de leis está fechando os olhos para o bom senso e as normas que norteiam a sociedade à qual pertence.

A verdade é que, na prática, não existe como controlar tudo o que acontece dentro de um laboratório de reprodução assistida. Que garantias o casal tem de que seus óvulos estão sendo inseminados com os espermatozóides certos? É possível ter certeza de que existe um bom controle de contaminações entre as placas de cultivo? Como saber se aquele embrião é o certo para o teste genético que foi realizado depois da biópsia? Qual nível de controle real se pode ter sobre o tratamento? A resposta é: o mesmo que temos quando somos submetidos a uma cirurgia e nos encontramos inconscientes depois de uma anestesia geral; a garantia da confiança depositada no profissional que escolhemos.

Portanto, é preciso divulgar a importância de saber o que e como buscar quando se procura por um profissional confiável. Ele precisa não só reunir habilidade técnica e conhecimento vasto, como também ter um comportamento ético reconhecido pela comunidade e pelos pacientes atendidos. O serviço escolhido deve ser avaliado segundo vários critérios objetivos: sistemas de auditoria, resultados dos tratamentos, tempo de experiência dos profissionais, qualidade da equipe multidisciplinar, cultura médica, postura da equipe, referência de outros profissionais e relação médico-paciente.

Já por parte dos profissionais da reprodução assistida, o caminho para reforçar a credibilidade no trabalho realizado passa obrigatoriamente pela educação e pela informação de qualidade para o público. Munir aqueles que nos procuram de todos os subsídios técnicos a respeito dos procedimentos, em linguagem acessível e ajustar expectativas quanto aos resultados é obrigação do especialista. Quanto mais bem informados forem os pacientes, menores os riscos de serem lesados por profissionais antiéticos.

É preciso deixar claro também que não existem milagres nos tratamentos de fertilidade. Obviamente, quanto mais bem preparado e equipado for o laboratório, maiores serão as chances de bons resultados. Porém, há limites para as chances de gravidez. Quando são apresentados resultados espetacularmente maiores que a média mundial, uma certa dose de desconfiança é justificada. Bons resultados à custa de manipulação genética sempre foram muito questionados no meio e frutos de incontáveis erros e pouquíssimos acertos. Rejuvenescimento celular ainda é um grande sonho científico, mas por enquanto muito distante da prática do dia-a-dia.

Por fim, é no laboratório, coração do serviço de reprodução assistida e onde se inicia a mágica do surgimento da vida, que os padrões éticos devem ser mais rígidos. Nesse ambiente, o especialista em reprodução assistida e o embriologista precisam trabalhar em fina sintonia e a postura de ambos é que determina a seriedade do serviço. Apesar das atitudes tomadas não envolverem diretamente risco de morte para o paciente, como em uma cirurgia, exigem extremo controle. Afinal, estamos, sim, lidando diretamente com vidas: vidas futuras. Por isso, é o paradoxo de manusear células microscópicas e, ao mesmo tempo, estar semeando futuras vidas que precisa ser bem administrado na consciência de cada profissional, para que limites fundamentais jamais sejam ultrapassados.

Dra. Maria Cecília Erthal
Ginecologista e obstetra, especialista em reprodução humana assistida
Dra. Maria Cecília Cardoso
Embriologista especializada em reprodução humana assistida

Como escolher um bom médico?

O programa Mais Você, da TV Globo, elaborou uma reportagem muito interessante sobre como ter mais segurança na hora de escolher um médico de confiança. Vela a pena conferir.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Cientistas anunciam criação de células germinativas em laboratório


Foi notícia em vários veículos - leia aqui - o anúncio de que cientistas da Universidade de Stanford, na Califórnia, teriam conseguido criar em laboratório células (germinativas) que podem dar origem a óvulos e espermatozóides a partir de células-tronco embrionárias.

A reprodução humana vem sendo bastante beneficiada pelas descobertas dos geneticistas e enchem os profissionais dessa área de esperanças em relação ao futuro. Atualmente, esse tipo de descoberta ainda fica bastante restrita às bancadas de laboratório, mas, em pouco tempo, já é possível imaginar a possibilidade de trazer esses avanços para a prática clínica cotidiana. A produção de gametas, a partir de células-tronco, será muito útil nos casos das falências ovarianas, nas quais, hoje em dia, as mulheres só podem engravidar com óvulo de doadoras, e também nos casos de ausência de espermatozóides (as chamadas azoospermias).

Apesar de, na nossa experiência, não encontrarmos arrependimento ou desilusões quando os pacientes decidem recorrer a bancos de gametas (óvulos ou espermatozóides), muitos ainda encontram resistência a esse tipo de tratamento. O "sangue do meu sangue" é um sentimento muito forte que carregamos. Por outro lado, penso que se nos educássemos para nos desprendermos dessa questão genética, evoluiríamos muito como seres humanos.

Por
Dra. Maria Cecília Cardoso
Embriologista do Centro de Fertilidade da Rede D’Or

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Matéria do Globo Online com participação do Centro de Fertilidade

O Globo Online fez matéria com dicas para meninas que vão pela primeira vez ao ginecologista e contou com a ajuda preciosa do Dr. Cássio Sartorio, ginecologista do Centro de Fertilidade da Rede D'Or.

CONFIRA AQUI

Matéria do portal Bolsa de Mulher fala sobre fertilidade segura















Veja matéria de Luana Martins, do portal Bolsa de Mulher, sobre congelamento de óvulos como alternativa para quem deseja adiar a maternidade, com participação da diretora do Centro de Fertilidade da Rede D'Or

Leia direto do site: http://bebe.bolsademulher.com//planejamento/materia/fertilidade_segura/90707/1

Fertilidade segura
Congelamento de óvulos é alternativa a quem deseja adiar a maternidade

Trabalho, trabalho e mais trabalho. Quando a vida profissional está de vento em popa, muitas mulheres optam por adiar a maternidade. Se nem chegaram perto do altar, há motivos em dobro para não engravidar. Agora, se o relógio biológico começa a dar as últimas badaladas e há o desejo de ser mãe, é hora de se preocupar: a fertilidade feminina entra em curva descendente a partir dos 35 anos e engravidar aos 40 anos é, praticamente, uma exceção.

Felizmente, a medicina guarda uma esperança às balzaquianas em busca da cegonha: o congelamento de óvulos. A técnica entrou em evidência depois que algumas famosas, como a atriz norte-americana Jennifer Aniston (40 anos), aderiram. E, mesmo na ficção, o tema anda em alta: a personagem Ruth, da atriz Cissa Guimarães na novela global Caminho das Índias, se submeteu ao tratamento.

Segundo dados estatísticos do Ministério da Saúde, em 2004, mais de 126 mil mulheres optaram pela maternidade após os 35 anos. E os números tendem a aumentar. "É uma tendência da vida moderna. Muitas mulheres têm priorizado aspectos profissionais e deixam para engravidar mais tarde. Existem aquelas que não encontraram o parceiro ideal e vêem na técnica uma opção para esperar pelo parceiro. Ou ainda mulheres que, por estarem com alguma doença autoimune (como lupus) ou em tratamento que pode levar à diminuição da fertilidade (como a quimioterapia e radioterapia) são orientadas a preservar a fertilidade através do congelamento dos óvulos", justifica Maria Cecília Erthal, ginecologista e diretora clínica do Centro de Fertilidade da Rede D'Or, no Rio de Janeiro.

Entendendo a fertilidade feminina
A chegada da primeira menstruação marca a passagem da adolescência para a vida adulta. É nesse momento que a mulher está biologicamente preparada para gerar uma criança. Mas somente por volta dos 20 anos (até os 35 anos) ela estará vivenciando o chamado 'pico de fertilidade'. "Nessa fase, o organismo já está adaptado às variações hormonais, o lado psicológico também se encontra bem formado, os ovários possuem uma boa reserva de óvulos e os riscos relacionados à gravidez são pequenos", frisa Maria Cecília. A partir de então, o tempo passa a ser inimigo e fator determinante para o decréscimo da fertilidade.

Isso ocorre porque as mulheres nascem com um estoque limitado de óvulos e como eles não se formam ao longo da vida, o envelhecimento traz a diminuição da capacidade de gerar uma vida. Para se ter uma idéia, nos primeiros anos de maturidade reprodutiva, uma mulher possui cerca de 400 mil óvulos. Aos 40 anos, esse número se encontra próximo dos 50 mil e, na menopausa, cai quase a zero. "Além da redução na quantidade de óvulos a serem produzidos, com o passar do tempo a qualidade dessas células reprodutoras também diminui, dificultando mais uma gestação natural", acrescenta Márcio Coslovsky, diretor médico da Huntington Centro de Medicina Reprodutiva, no Rio de Janeiro.

A técnica promissora
O investimento em técnicas de congelamento é antigo. Há pelo menos 50 anos a medicina apresenta resultados promissores no congelamento de espermatozóides. Há mais de dez anos também obteve sucesso no congelamento de embriões. Já a técnica de congelamento de óvulos - que detinha alguns problemas técnicos - começa agora a mostrar resultados animadores.

Para aqueles que desaprovam o método de congelamento de embriões por questões religiosas e éticas, o congelamento de óvulos passa a ser a melhor alternativa. "Ele se tornou muito mais conveniente, já que a paciente pode descartar os óvulos caso não os utilize. No congelamento de embriões, existe todo um aspecto legal e moral em relação ao que fazer com eles se não forem transferidos para o útero", justifica Maria Cecília. Além disso, o congelamento de óvulos pode ser feito sem a necessidade de um parceiro.

O procedimento é bem simples. "A mulher recebe injeções hormonais no período menstrual capazes de induzir uma maior ovulação. Doze dias após a menstruação, se estiverem prontos, cerca de dez óvulos são retirados por ultrassom e examinados. Os saudáveis são submetidos ao congelamento. No futuro, serão fecundados pelo sêmen do pai por meio de técnicas de reprodução assistida", explica Márcio.

A boa notícia é que os avanços tecnológicos permitem a recuperação quase total (cerca de 80%) dos óvulos depois do congelamento. "Através de substâncias crioprotetoras, o processo de congelamento (vitrificação) não forma mais cristais de gelo capazes de romper os óvulos no momento do descongelamento, como acontecia antigamente", garante Márcio. Além disso, não há um período limite para a duração desse congelamento. "Teoricamente, ele pode durar para sempre. Desde que não falte nitrogênio líquido - substância responsável pela queda de temperatura e conservação dos óvulos", enfatiza o especialista em reprodução.

As taxas de sucesso do tratamento são animadoras. "Os últimos estudos europeus vêm demonstrando taxas de gravidez (em torno de 38%) muito próximas aos da utilização de embriões frescos", revela Maria Cecília. "No entanto, o sucesso do tratamento dependerá de outros fatores: a idade da mulher no momento em que os óvulos foram retirados e a qualidade do sêmen utilizado para fertilizá-los são quesitos importantíssimos", acrescenta Márcio. Por isso, o especialista aconselha: "Se pretende congelar seus óvulos, faça-o cedo"!

Gravidez múltipla
Se a notícia da gravidez depois de um congelamento é animadora, imagine a chegada dupla da cegonha? Assim como qualquer técnica de reprodução assistida, o congelamento de óvulos favorece a gravidez múltipla (de gêmeos). "A opção de transferir mais de um embrião é feita para aumentar as chances de engravidar. Mas caso seja a opção do casal, pode-se transferir um embrião por vez, o que impede o nascimento de gêmeos diferentes", garante Maria Cecília. "Já as taxas de gêmeos idênticos não altera, pois é resultado da divisão de um mesmo embrião depois de implantado", aponta a especialista.

Pronta pra ser mãe? Faça o teste!

Um inconveniente do tratamento fica por conta dos custos. "O tratamento completo costuma sair por R$12 mil, incluindo os remédios usados para a estimulação ovariana", revela Márcio. Já a taxa para a manutenção dos óvulos vitrificados varia de R$120 a R$1.000,00 dependendo da clínica e da periodização dos pagamentos.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Nova técnica de análise genética pode ajudar casais com dificuldades para engravidar, mas é preciso critério


Esta semana foi notícia na BBC (Inglaterra) e em diversos veículos do país uma nova técnica de análise genética que aumentaria os resultados das técnicas de fertilização assistida. Como explicado na matéria - ver matéria do O Globo Online - o aCGH (array comparative genome hybridization) que, no português, seria algo como painel genômico comparativo por hibridização, é uma nova técnica de detecção de problemas genéticos em embriões que permite a análise de todos os cromossomos. Apesar da expectativa que esse tipo de pesquisa gera nos casais que sonham em ter filhos, é preciso lembra que a tecnologia se destina apenas a alguns casos, especialmente porque o aCGH ainda é substancialmente mais caro que a técnica tradicional. Além disso, outros aspectos da pesquisa precisam ser avaliados antes de se assumir que a técnica é uma revolução na área.

Há anos a medicina reprodutiva já vem utilizando o diagnóstico genético do embrião antes da transferência para o útero materno. No entanto, normalmente são testados até no máximo 12 cromossomos. Um dos grupos com mais experiência no mundo nessa técnica, chefiado pelo Dr. Santiago Munné, apresentou, nesse mesmo congresso, a comparação do exame tradicional com 12 cromossomos com o aCGH e a conclusão foi que ambos os exames têm a mesma taxa de erro (6%) e que o aCGH detecta aproximadamente 20% mais embriões anormais. Portanto, é muito importante esclarecer aos leitores que o dobro no aumento das taxas de gravidez pelo aCGH é em comparação às pacientes sem qualquer exame genético do embrião, pois comparando-se com o que já é atualmente feito, as taxas não têm aumento real.

É preciso cuidado também ao interpretar as taxas de sucesso em reprodução humana assistida. Dependendo de como são analisados os resultados, é possível obter diferentes taxas de gravidez. As taxas podem ser levantadas por paciente, por tentativa, por óvulos aspirados, oou por transferência de embriões. Por exemplo, se tomamos um caso bem próximo da realidade da maioria dos laboratório, em que 10 mulheres por volta dos 39 anos fazem tratamento para engravidar e duas delas conseguem a gravidez, obtemos 20% de gestação por paciente. No entanto, é comum que algumas, para obter essa gravidez, tenham repetido o tratamento uma ou duas vezes. Porém, digamos que, nesse grupo de pacientes, seis delas tenham tentado duas vezes e duas por três vezes, daí temos uma taxa de 10% de gravidez por tentativa de óvulo aspirado (duas gestações por 20 aspirações).

Mas pode acontecer também, em um grupo como esse, que nem todas as pacientes tenham óvulos ou algumas não consigam embriões para serem transferidos. Portanto, se a taxa de gravidez for obtida tendo em vista apenas os embriões transferidos e, nesse grupo, isso significar um total de 15 (mesmo se algumas pacientes forem excluídas da contagem), a taxa passa a ser 13,3%. Além disso, é muito frequente que pacientes que não tenham óvulos para coletar sejam tiradas das estatísticas. Então, se nesse grupo de 10, duas tenham falhado na produção de óvulos, e essas forem tiradas da análise, é possível obter uma taxa de 25% de gravidez por paciente.

Por fim, especialmente em casos de mulheres com mais idade que submetem seus embriões a testes genéticos, é bastante comum que boa parte (cerca de 70%) deles tenha que ser descartada, por terem anormalidades. Assim, das 15 transferências de embriões realizadas no exemplo acima, teríamos apenas 4 para transferência, podendo ser considerada uma taxa de gravidez de 50% para essa faixa etária. Provavelmente, com o aCGH teríamos apenas três casos para transferência e a taxa passaria para 66,7%.

Esse exercício matemático é tedioso, porém extremamente importante para compreendermos as pegadinhas da reprodução humana. Quando colocamos os altos custos envolvidos nesses tratamentos, temos ainda mais razão para praticar o nosso senso crítico.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O que é a varicocele e qual sua relação com a infertilidade masculina?

O diagnóstico de varicocele é bastante comum quando buscamos respostas sobre o porquê de um casal não conseguir engravidar. Para que o paciente possa decidir sobre como se tratar em conjunto com seu médico, é muito importante que entenda um pouco sobre o que é a varicocele e seu impacto na fertilidade.

A varicocele é uma anomalia vascular que atinge as veias testiculares. Trata-se de um processo que pode ser identificado durante o exame físico, pelo aumento do volume da bolsa escrotal, tanto acima, quanto lateralmente ao testículo. Por questões anatômicas, é mais comum que o testículo esquerdo seja o afetado, mas também é possível que o problema seja bilateral. Já o testículo direito ser afetado isoladamente é muito mais raro.

Diversos trabalhos científicos demonstram a associação entre varicocele e infertilidade. As hipóteses que explicam a relação entre ambas são várias: é possível que alterações na temperatura testicular, alterações do fluxo sanguíneo, ou a retenção de restos celulares nocivos no testículo provoquem alterações na qualidade do sêmen. Desta forma, seu tratamento pode ser indicado quando o fator masculino interfere na fertilidade do casal.

O diagnóstico da varicocele é feito através do exame físico (que a classifica em três diferentes graus) e pode ser confirmada com a utilização de uma ultrassonografia escrotal com Doppler colorido. Para a indicação de tratamento, além dos dados do exame físico e ultrassom, são considerados: grau de alteração seminal, exames hormonais, idade e desejo do casal.

O tratamento é feito por um urologista e a opção mais eficiente hoje é a cirúrgica. O procedimento pode ser realizado por meio de diferentes técnicas. Em todas elas é realizada a identificação e ligadura dos vasos varicosos, o que difere de uma para outra cirurgia é apenas o número e localização dos vasos a serem ligados.

Em geral, cerca de 60 a 70% dos homens submetidos à cirurgia observam uma melhora no padrão seminal. Contudo, também é possível observar uma piora do quadro após o procedimento, apesar de acontecer em poucos casos. A boa notícia é que, em casais cujos homens realizam o tratamento, as taxas gravidez tendem a aumentar e ficam entre 30 a 40%.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Novo teste possibilita analisar a fertilidade masculina sem sair de casa


A Universidade Nacional de Taiwan acabou de anunciar a criação de um biochip que analisa a fertilidade do sêmen em casa, sem necessidade do uso do microscópio ou de outros instrumentos.

É bastante interessante o desenvolvimento de um aparelho como este, pois a maioria dos homens fica bastante constrangida por ter de fazer a coleta no laboratório. E, às vezes, o fator tensão pode até mesmo comprometer a qualidade da amostra a ser analisada.

Não acredito que o teste doméstico chegue a substituir uma análise mais criteriosa, mas vai ajudar a fazer uma triagem daqueles casos que necessitam exames minuciosos. Como essa nova tecnologia não só mede a concentração de espermatozóides, como também sua mobilidade, o teste doméstico dá a possibilidade ao homem de se preparar psicologicamente para resultados ruins.

No entanto, é muito importante que o chip seja vendido com a ressalva de que resultados aparentemente normais podem esconder outras alterações que não são detectadas com a simples contagem dos espermatozóides.

Ver matéria completa no portal Último Segundo

Por Dra. Maria Cecília Cardoso
Embriologista do Centro de Fertilidade da Rede D'Or

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Ética e reprodução humana assistida


Após ler o texto do teólogo Dr. Frei Antonio e, depois de muito ouvir e pesquisar sobre o recente escândalo na área de medicina reprodutiva, achei que deveria expor minha opinião como alguém que há muitos anos se dedica ao trabalho na área.

A especialidade, que abrange o tratamento da infertilidade conjugal em todas as formas de manifestação, está em pleno crescimento e desenvolvimento por todo o mundo. Não se mostra com sombras, mas, ainda, com muitas interrogações. Existem diversos profissionais envolvidos em pesquisa de ponta e esforços não são poupados para atingir os melhores resultados.

Todos os casais têm direito a desejar um filho. O corpo feminino, mensalmente, se prepara para a concepção e tem sua anatomia desenhada para gravidez e parto. Mas a humanidade vem criando condições cada vez piores para a fertilidade. Inventamos o agrotóxico, poluímos a água que consumimos e o ar que respiramos. Com a vida moderna, a mulher também passou a ter mais opções para escolher o momento da gravidez, muitas vezes priorizando a vida profissional e financeira. Por tudo isso, a procura pelas clinicas de tratamento da fertilidade vem aumentando substancialmente.

Os procedimentos envolvem alto padrão científico e tecnologia avançada, necessitando de pessoas capacitadas e bem preparadas para lidar, não só com a questão médica, como também com o aspecto psicológico que a situação exige. Para a maioria desses profissionais, a ética é prioridade e o respeito ao paciente, fundamental.

Os procedimentos investigados nesse episódio, da maneira e com a finalidade que se supõe, não são difundidos em outras clínicas do Brasil ou do mundo. Não existe respaldo científico para tais métodos.

A comunidade científica pode e deve debater questões éticas tais como quando a vida começa: a partir do embrião que está no laboratório, ou do batimento cardíaco na vida intrauterina. Podemos discutir sobre a união de casais homoafetivos e o direito sobre a formação da família. Podemos discutir também sobre o congelamento e o destino desses embriões.

Contudo, as denúncias específicas que envolvem o episódio precisam ser discutidas de forma particular e no âmbito judicial. É preciso muito critério para que essas acusações não passem a resvalar nos demais profissionais da área. Não se pode julgar todos por um.

Como acontece em qualquer especialidade, o paciente tem que ter critérios quando opta pelo médico que vai atendê-lo. A ética e o respeito ao ser humano fazem parte da vida e da formação de todos os profissionais, sejam eles médicos, engenheiros, advogados ou professores.

Uma legislação mais específica, que regulamente o serviço de reprodução humana assistida, é certamente benvinda. Todas as questões éticas devem ser plenamente debatidas dentro de um conselho de bioética e, uma vez legisladas, precisam ser rigorosamente fiscalizadas. Esse cuidado é o que garantirá seu cumprimento à risca no futuro, dando cada vez mais segurança aos pacientes, o que, no final das contas é nosso principal dever como médicos.

Dra. Maria Cecília Erthal
Médica ginecologista e especialista em reprodução humana assistida

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Vamos querer gêmeos!




Já perdi a conta de quantos pacientes me perguntaram sobre gestação múltipla; alguns por desejarem a gestação de gêmeos, outros pelo medo de virem a ter três, quatro ou mais bebês de uma só vez. A questão é que a relação reprodução assistida e números de bebês concebidos ainda é pouco clara para muitos.

A cada ciclo natural, a mulher libera um óvulo (raramente dois ou mais). Esse óvulo caminha no interior da trompa para encontrar o espermatozóide. Quando há o encontro e ocorre a fecundação, o óvulo fecundado inicia o processo de divisão celular e vai avançando em direção à cavidade uterina, para implantar-se na camada interna do útero, onde o bebê irá se desenvolver até o momento do parto.

Existem duas maneiras de a gestação gemelar ocorrer. A primeira e mais frequente é quando a mulher libera dois óvulos em um ciclo. Se ambos forem fecundados, cada um originará um embrião. Neste caso, teremos gêmeos dizigóticos, também conhecidos como bivitelinos, ou fraternos. A segunda forma é quando o zigoto, por um processo ainda pouco esclarecido, se divide em duas partes iguais e cada uma origina um bebê. Neste caso, ao contrário dos dizigóticos, os gêmeos serão idênticos e, claro, do mesmo sexo. Num ciclo natural, as chances de acontecer uma gestação trigemelar é bem baixa (um em cada 2.000) e, quadrigemelar, ainda mais raras.

No tratamento de reprodução assistida, para aumentar as chances de gravidez, a mulher recebe medicações que estimulam o ovário. Os óvulos coletados são preparados no laboratório. Cada óvulo recebe um espermatozóide e, no dia seguinte, é verificada a fertilização. Pode acontecer do óvulo, mesmo após injeção do espermatozóide, não ser fertilizado. Neste caso, não haverá zigoto, nem embrião. Isso vai depender de caso, da qualidade dos óvulos e dos espermatozóides. A idade, principalmente na mulher, exerce grande influência, tanto em relação à quantidade como à qualidade dos gametas (óvulos e espermatozóides).

Acredito que agora vocês já estejam entendendo por que é tão difícil saber quantos embriões serão produzidos. Os embriões são selecionados para transferência de dois a cinco dias após a coleta dos óvulos. Ou seja, chegou o dia de serem colocados no útero da futura mamãe. É hora de decidir quais e quantos embriões serão transferidos. Analisamos a qualidade dos embriões, o histórico da paciente, o fator de infertilidade. É uma decisão extremamente delicada, pois é preciso considerar o enorme desejo da maternidade-paternidade e os riscos que uma gestação múltipla pode oferecer à mulher. Desta decisão participam o ginecologista, o profissional do laboratório e o casal.

É preciso ressaltar ainda que embriões transferidos não significam embriões implantados, e nesta etapa nós, profissionais de reprodução assistida, já não participamos mais. Agora é só torcer pelo casal e aguardar o resultado do beta hCG (exame que indica se houve ou não implantação de embrião) e da ultrassonografia. Aí, finalmente, o casal saberá quantos bebês estão a caminho.

Sabemos que para o casal que só pode obter a gestação através do tratamento de reprodução assistida, parece bastante vantajoso buscar a gestação de gêmeos ou trigêmeos. Neste momento, para ele, só existe o peso do enorme desejo de ter um filho. Porém, cabe ao profissional lembrar-lhes que do outro lado da balança estão os riscos da gestação múltipla: hipertensão e diabetes gestacional, descolamento da placenta, pré-maturidade, crescimento fetal restrito, complicações respiratórias e neurológicas para o bebê.

O nascimento de múltiplos bebês é considerado um problema de saúde pública e o tratamento de reprodução medicamente assistida é apontado como grande responsável pelo aumento da incidência deste tipo de gestação. Hoje, existe um enorme esforço por parte dos especialistas da área em conseguir reduzir o índice de gestação múltipla. Nosso desafio é transferir menos embriões, sem reduzir a chance de gestação para o casal.

Como embriologista, alegro-me em dizer que as ferramentas que dispomos para a classificação dos embriões nos têm permitido selecionar com maior precisão o embrião de melhor potencial de implantação. E aqueles que não são selecionados, podem ficar armazenados no laboratório para serem transferidos quando o casal desejar, seja por não ter havido gestação, seja pelo desejo de mais um bebê.

Fernanda Couto Ferreira
Embriologista do Centro de Fertilidade da Rede D'Or

terça-feira, 8 de setembro de 2009

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Entrevista para a Rádio CBN de São Paulo

Por ocasião do dia do combate ao fumo (29 de agosto), a rádio CBN de São Paulo realizou uma série de entrevistas com especialistas sobre os males desse hábito tão devastador para a saúde. A Dra. Maria cecília Erthal falou sobre como o fumo pode afetar a saúde e fertilidade da mulher.

Clique no ícone para ouvir:

Entrevista sobre infertilidade do casal - Rádio MEC

Ouça entrevista da Dra. Maria Cecília Erthal sobre infertilidade conjugal e técnicas de fertilização assistida para a rádio MEC, do Rio de Janeiro, realizada em 4 de agosto de 2009.



quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O sonho de ser pai apesar da vasectomia - Matéria do jornal RJ Acontece, da Band

Matéria da Band de 7 de agosto de 2009 conta uma história diferente em homenagem ao Dia dos Pais. Depois de dois filhos e três netos, o arquiteto e artista plástico Douglas Milne-Jones, de 62 anos, jamais poderia imaginar que a cirurgia de vasectomia, feita há 30 anos, seria um empecilho em sua vida. Porém, o segundo casamento, com uma mulher bem mais jovem, reavivou seu desejo esquecido de ser pai mais uma vez.

Dra. Maria Cecília Erthal, diretora-médica do Centro de Fertilidade da Rede D'Or, participou da matéria explicando como as técnicas de fertilização assistida podem ajudar homens que já realizaram, ou pensam nessa opção de esterilização.


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Congelamento de óvulos - técnica ainda polêmica avança e mulheres passam a poder postergar a gravidez


Matéria do jornal O Tempo (MG) deste domingo traz matéria muito interessante sobre o congelamento de óvulos, com alerta de especialistas para o perigo da banalização e uso inadequado do procedimento.

Veja aqui a matéria de O Tempo completa.

O enfoque dado à questão foi bastante claro e interessante. Como bem exposto, o congelamento de óvulos costuma apresentar menores taxas de sucesso de gravidez que o congelamento de embriões, por isso, se deu preferência à segunda opção. Contudo, por conta da polêmica sobre os embriões excedentes do tratamento de reprodução assistida e o que é ético em relação ao seu destino, a questão sempre foi acompanhada por muitos questionamentos.

No Brasil, em 2008, o Supremo Tribunal Federal liberou a utilização desses embriões em pesquisas com células-tronco, finalidade nobre e que promete ajudar muitas pessoas num futuro não tão distante. Porém, devido à controvérsia que envolve a utilização de células embrionárias, alguns países não permitem seu congelamento, o que forçou os cientistas a aprimorarem as técnicas de congelamento de óvulos. Isso permitiu, em primeiro lugar, que mulheres com a fertilidade ameaçada, como no caso de tratamentos quimioterápicos, ou outros problemas de saúde, pudessem preservar sua fertilidade.

fonte: O Tempo - MG


A técnica avançou e também vem sendo utilizada como um modo de postergar a gravidez. Contudo, apesar de todos os avanços, essa ainda não é uma técnica infalível para tal finalidade. O número de óvulos disponível é limitado e, eventualmente, estes podem não ser suficientes para se obter uma gravidez. Ou seja, apoiar todo um planejamento de vida em cima da tecnologia pode ser uma decisão arriscada.

A melhor recomendação para as mulheres que não querem engravidar por questões profissionais é que elas pensem cuidadosamente sobre os empecilhos para escolher a hora certa de engravidar. De nada adianta ter uma vida profissional plena se a pessoal não se sente plena. Dentro da minha experiência profissional, o que percebo é que a melhor hora para engravidar costuma mesmo ser o momento em que a mulher se pergunta sobre isso.

De qualquer forma, o sucesso da criopreservação de óvulos veio como um alento para igualar um pouco mais as mulheres aos homens. Picasso foi pai aos 70 anos. E quem somos nós para dizer que isso é certo ou errado para as mulheres? A sociedade é que vai ditar as regras conforme for ocorrendo o avanço da ciência."

fonte: O Tempo - MG














Por Dr. Cassio Sartorio
Ginecologista especialista em reprodução humana assistida

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

DST atingem 13% dos brasileiros e estão entre as causas de infertilidade em homens e mulheres




Em matéria da Folha de São Paulo desta semana, ficamos sabendo que pesquisa do Ministério da Saúde com 8.000 pessoas, de 15 a 64 anos revela que cerca 13% dos brasileiros com vida sexual ativa já tiveram doenças sexualmente transmissíveis (DST), sendo que parte significativa deles nem ao menos se trata. O que pouca gente sabe é que fora a Aids, que é bastante temida por todos, algumas dessas doenças são realmente sérias e podem levar à infertilidade e até a casos de câncer.


Mas apesar do número assustador de mais de 10 milhões e infectados no pais, é engraçado ver como as coisas mudam... Lembro-me claramente de quando comecei a exercer a medicina. Na época, atendia pacientes idosos e naquelas perguntas de rotina, quando os questionava sobre se já haviam tido alguma DST, eles enchiam o peito e falavam com muito orgulho: “Ih, doutor! Já tive sífilis umas quatro vezes e gonorréia umas três.” Isso talvez porque, para aquela geração, isso era o correspondente de "pegador" para os jovens de hoje.

Mais tarde, quando passei a exercer a função de médico militar, atendia os recrutas com gonorréia e esses já chegavam mais cabisbaixos, porque sabiam que aquilo era sinônimo que eles tinham feito burrada. Como não tinham usado preservativo, a chance de ter outra DST associada era alta e o que mais lhes preocupava era a AIDS.

Esses relatos só servem para exemplificar o que o Ministério da saúde vem notando ao longo do tempo: o número de casos de DST entre a geração acima dos 60 anos tem tido um aumento significativo. Esse grupo não teve acesso ao mesmo tipo de ações de prevenção que os jovens e, portanto, não foi tão estimulado a usar a camisinha, algo que o governo vem tentando mudar.

Outro fato alarmante é a atitude despreocupada de muitos adolescentes. Com o avanço das terapias, o HIV tem se tornado uma doença crônica, com sobrevida longa e, com isso, o impacto que a doença causa tem diminuído. Isso leva a uma diminuição dos cuidados em relação ao uso de preservativo nessa faixa etária, outra situação que as campanhas públicas têm procurado sanar.

Felizmente, a maior parte das DST tem tratamento curativo e, quando descobertas precocemente, não costumam deixar sequelas. O problema é que algumas são silenciosas, não causando sintomas e, por isso, só são descobertas tardiamente.

É o caso da Chlamydia, cuja sequela bastante comum é a obstrução tubária feminina, que leva à infertilidade. Já no homem, pode levar à inflamação da uretra e, mais raramente, à inflamação testicular.

O melhor jeito para se descobrir se, por acaso, você se contaminou numa relação desprotegida é procurando seu médico. Mas lembre-se: o melhor é sempre se prevenir das DST usando preservativo.

E, já que falei tanto do Ministério da Saúde, vou fazer mais uma propaganda para ele (só que tem de ser cantada o ano todo!):

Bota a Camisinha

Bota a camisinha
Bota meu amor
Que hoje tá chovendo
Não vai fazer calor

Bota a camisinha no pescoço
Bota geral
Não quero ver ninguém
Sem camisinha
Prá não se machucar
No Carnaval...

Por Dr. Cassio Sartorio
Ginecologista da equipe do Centro de Fertilidade da Rede D’Or

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

O que significa a palavra infertilidade?








Aproximadamente, cerca de 80 a 85% dos casais que estão tentando ter filhos vão conseguir atingir seu objetivo dentro de um ano. Por isso, a infertilidade conjugal é comumente definida pela incapacidade de se obter uma gravidez após 12 meses de relações sexuais sem contracepção. Entretanto, certos pacientes podem reconhecer fatores que, por si só, podem levar à infertilidade e, para estes, esperar por tanto tempo para buscar ajuda, não faz o menor sentido.

Por exemplo: mulheres com ciclos menstruais extremamente irregulares, histórico de endometriose severa, histórico de gestação tubária, ou que saibam de outros fatores anatômicos que claramente possam diminuir sua fertilidade devem procurar seus ginecologistas.

Os casais também devem ser incentivados a procurar um especialista em fertilidade quando a mulher tem mais de 35 anos e já tentam engravidar há mais de seis meses sem sucesso.

Outro problema delicado e que indica que cuidados especiais devem ser tomados é o aborto recorrente. Algumas mulheres, infelizmente, só conseguem levar a gravidez a termo após passarem por algumas perdas. Esse problema representa um aspecto especial dentro da reprodução humana e essas pacientes também necessitam da avaliação de um especialista em fertilidade.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Entrevista da Dra. Maria Cecília Erthal no Sem Censura

Entrevista da Dra. Maria Cecília Erthal, diretora-médica do Centro de Fertilidade da Rede D'Or, à jornalista Leda Nagle, sobre congelamento de óvulos. O programa Sem Censura, da TV Brasil, foi exibido no dia 20 de julho de 2009.

Parte 1



Parte 2



Parte 3



Parte 4



Parte 5

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Fotos do evento Dia dos (Futuros) Papais





Auditório do Hospital Barra D'Or lotado.




Dra. Maria Cecília Erthal, diretora-clínica do Centro de Fertilidade, fala sobre fertilidade conjugal.




Dra. Maria Helena Nicola, da Cryopraxis, fala sobre congelamento de sangue de cordão umbilical.




Dra. Maria Cecília agradece a presença de todos.

Clique aqui para ver todas as fotos.



segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Grã-Bretanha amplia o direito de mulheres homossexuais que desejam recorrer a técnicas de fertilização

















A sociedade tem se espantado com a rapidez e profundidade com que o progresso da ciência e da cultura tem provocado mudanças na estrutura familiar. Não só o indivíduo como também a legislação civil e médica têm sido desafiadas a se adaptar a tamanhas transformações. A reprodução humana assistida é uma das grandes responsáveis por boa parte dessa revolução e a cada dia são divulgados avanços significativos na área. Os novos modelos de família, por sua vez, são resultado do aumento da liberdade pessoal combinado a técnicas mais e mais refinadas. É nesse cenário que nos chegam novidades como o Decreto de Embriologia e Fertilização Humana 2008, que entra em vigor em 1° de outubro deste ano no Reino Unido.

Aliando o aspecto médico ao jurídico, o "Human Fertilisation and Embryology Act 2008" (Decreto de Embriologia e Fertilização Humana 2008) representa um passo importante para mulheres com orientação homossexual, pois indica um avanço em direção ao fim da discriminação que ainda existe em relação a esse grupo. Matéria publicada no site brasileiro Maringay - clique aqui para ler, mostra que na Inglaterra, além da mudança na legislação, uma ONG de direitos humanos pretende ampliar o conhecimento das mulheres a respeito de seus direitos por meio de uma cartilha.

A nova lei remove a “necessidade de um pai” nos tratamentos de fertilização e, em seu lugar, indica a necessidade de um “suporte parental”. Isso significa que não só pelo aspeto médico, mas também em termos jurídicos, ambas as mulheres são consideradas mães. Ou seja, quando um casal de mulheres tiver um filho, a mãe não-genitora não terá mais que adotar a criança para ser admitida como a outra responsável legal na certidão de nascimento. O direito será automático para casais com parceria civil.

No Brasil, a questão ainda pode ser considerada confusa. No que se refere ao sistema de saúde, pode-se afirmar que a liberdade é maior do que no aspecto legal, uma vez que o Conselho Federal de Medicina (CFM) já não obriga a existência de "um pai".

No parágrafo referente ao consentimento informado, o CFM orienta: "O documento de consentimento informado será em formulário especial e estará completo com a concordância, por escrito, da paciente, ou do casal infértil." Já no que diz respeito aos usuários das técnicas de reprodução assistida, o CFM diz: "1 - Toda mulher, capaz nos termos da lei, que tenha solicitado e cuja indicação não se afaste dos limites desta Resolução, pode ser receptora das técnicas de reprodução assistida, desde que tenha concordado de maneira livre e consciente em documento de consentimento informado; 2 - Estando casada ou em união estável, será necessária a aprovação do cônjuge ou do companheiro, após processo semelhante de consentimento informado."

Contudo, no âmbito jurídico ainda existem limitações. Diferentemente da Inglaterra, ainda não é preciso recorrer à adoção para que as companheiras sejam ambas reconhecidas como responsáveis legais pelos filhos, importante, principalmente, para o conforto e segurança das próprias crianças.

Maria Cecília de Almeida Cardoso
Embriologista do Centro de Fertilidade da Rede D’Or

Nosso evento foi um sucesso!

Muito obrigado a todos que compareceram às palestras em homenagem ao Dia dos Pais. O nosso Dia dos (Futuros) Papais foi um grande sucesso e contou com a presença de mais de 80 pessoas, que puderam tirar suas dúvidas sobre fertilidade conjugal e congelamento de sangue de cordão umbilical.

Agradecemos também o apoio fundamental da Cryopraxis - Criobiologia, que não só esteve todo o tempo ao nosso lado na organização do evento, como enviou sua coordenadora de Pesquisa & Desenvolvimento, Dra. Maria Helena Nicola, para falar sobre o tema "Célula-tronco adulta e congelamento do sangue de cordão umbilical", além de esclarecer as dúvidas da platéia sobre esse tema tão importante.

Em breve, aqui, as fotos do evento.

terça-feira, 28 de julho de 2009

A preservação da fertildade em pacientes com câncer







A preservação da fertilidade é um debate que vem ganhando força há alguns poucos anos. Matéria da Folha de São Paulo de ontem traz uma pesquisa importante realizada nos EUA com 613 oncologistas que levou a sociedade americana de oncologia clínica a elaborar um novo guia com orientações sobre a preservação da fertilidade de pacientes com câncer. Ela constatou que apenas 25% dos oncologistas orientam seus pacientes sobre a preservação da fertilidade antes de se tratarem. Vale a pena ler na íntegra:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u600807.shtml

Novos tratamentos, novas medicações e um maior conhecimento sobre a forma de evolução dos tumores têm permitido a realização de tratamentos menos agressivos e com melhor taxa de sobrevida para os pacientes com diagnóstico de câncer. Mas, infelizmente, certos aspectos do tratamento ainda são negligenciados, principalmente em relação à vida após o câncer.

A formação oncológica sempre foi muito desgastante; nunca é fácil dar um diagnóstico que pode significar a morte de alguém. Dizer ao paciente que ele terá que se submeter a sessões onde medicações e tratamentos causarão náuseas, queda de cabelo, ou recomendar cirurgias que podem ser mutilantes faz parte do dia-a-dia desses profissionais.

Os oncologistas lutam diariamente com pacientes entre a vida e a morte. Então, sob sua ótica, sobreviver é a vitória. E, graças a eles e às pesquisas que vêm desenvolvendo, as vitórias são cada vez mais frequentes. A batalha é vencida, mas a guerra continua, a vida continua... E realizar o sonho da gestação faz parte dessa vida.

A medicina cada vez mais avança na tentativa de facilitar a gestação dessas pessoas. Para os homens, a preservação de sêmen é uma técnica já muito bem estabelecida, com ótimos resultados e de fácil realização. Já a preservação da fertilidade da mulher é mais complicada.

Existem técnicas que permitem a preservação de óvulos com boas taxas de gravidez, contudo é necessária a captação desses óvulos. E tempo é algo que muitas não têm antes da quimioterapia.

Outras técnicas também vêm sendo desenvolvidas, como o congelamento do tecido ovariano. Atualmente, já existem crianças nascidas dessa forma, mas só em alguns anos esta deverá ser uma prática bem estabelecida.

Enquanto essas opções não são uma realidade para todas, é preciso conscientizar médicos e pacientes quanto à necessidade de se realizar qualquer procedimento que possa ajudar a preservar a fertilidade, como a menopausa medicamentosa. Ela não é garantia definitiva de preservação da fertilidade, mas vários estudos já mostram seus benefícios.

A escolha do tratamento quimioterápico e radioterápico a ser utilizado também deve ser avaliada segundo esse aspecto. Em alguns casos, já é possível dar preferência a drogas que não agridam tanto os ovários.

O que importa é que muito já é feito com sucesso, está sendo desenvolvido, ou se encontra em fase de estudou nessa área. Cada vez mais a ciência avança na tentativa de vencer essa nova batalha. Porém, um passo importante que ainda tem de ser dado é a mudança da visão do câncer pela medicina. Mas pesquisas como a da sociedade americana de oncologia clínica mostra que também nesse aspectos já podemos comprovar importantes progressos.

Carpe diem

Por Dr. Cassio Sartorio
Ginecologista da equipe do Centro de Fertilidade da Rede D’Or

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Participe do Dia dos (Futuros) Papais

Gostaríamos de convidar a todos para o Dia dos (Futuros) Papais, que vai acontecer no Hospital Barra D’Or, no dia 8 de agosto (sábado), das 10h às 13h.

São duas palestras em homenagem ao Dia dos Pais:

10h - “Fertilidade conjugal”, com a Dra. Maria Cecília Erthal, diretora-médica do Centro de Fertilidade da Rede D’Or

11h30 - “Célula-tronco adulta e congelamento do sangue de cordão umbilical”, com a PhD em Ciências Morfológicas, Maria Helena Nicola, PhD em Ciências Morfológicas e coordenadora de Pesquisa & Desenvolvimento da Cryopraxis – Criobiologia.

As vagas são gratuitas e todos os participantes receberão uma entrevista com avaliação e aconselhamento sobre fertilidade, a ser agendada durante o evento.

CLIQUE AQUI E FAÇA A SUA INSCRIÇÃO!

Temas abordados:
Causas da infertilidade feminina e masculina;
Técnicas de investigação da fertilidade;
Relação sexual programada;
Inseminação intra-uterina;
Fertilização in vitro;
Injeção intra-citoplasmática de espermatozóides;
Congelamento de óvulos e espermatozóides;
Doação de óvulos;
Banco de sêmen;
Diagnóstico genético de embriões;
Células-tronco embrionárias – o que são e pesquisas na área;
Células-tronco adultas – o que são, usos atuais e futuros;
Congelamento de sangue de cordão umbilical – como funciona e quais são as vantagens;

Local: Auditório do Hospital Barra D’Or
Endereço: Av. Ayrton Senna, 2541 - Barra da Tijuca - Rio de Janeiro


CLIQUE AQUI E FAÇA A SUA INSCRIÇÃO!

A modernidade que colabora para a infertilidade masculina
















Ah, os males modernos... As invenções, às vezes, podem trazer tantos benefícios quanto transtornos. Um estudo divulgado no mês passado relaciona o uso excessivo de laptops sobre o colo a uma redução da fertilidade masculina. Veja matéria completa no site da Info.

Fato é que a natureza foi sábia ao posicionar os testículos na bolsa escrotal, pois a temperatura interna do corpo é muito alta para a produção dos espermatozóides. Então, ela providenciou esse jeito fácil de refrescá-los. Mas, com o desenvolvimento das civilizações e as intempéries do clima, criou-se o hábito de utilizar roupas como cuecas e calças - com exceção, é claro, dos escoceses com seus kilts, dos índios e dos nudistas! Assim, começamos a fazer o primeiro método de controle natural de fertilidade.

Mas, isso não era suficiente. Tivemos que inventar mais alguma coisa... E a revolução industrial nos deu os motores a explosão. Naquela época, e até muito pouco tempo atrás, os motoristas se sentavam próximo aos motores e o calor irradiado diminuía a sua fertilidade. O tempo passa e é vista a correlação entre a temperatura e a infertilidade de muitos dos nossos amigos "pilotos" de ônibus e caminhões. Os motores são mudados de lugar, mas não nos damos por satisfeitos... Vem a revolução tecnológica.

Os tempos contemporâneos nos trouxeram mais um alento: os computadores. Hoje em dia, não conseguimos mais imaginar nossas vidas sem eles!

Com o tempo, eles foram diminuindo de tamanho e agora os levamos para todos os lugares. Infelizmente, nem sempre temos uma mesa aonde apoiá-los, sobrando, então, o nosso velho e formidável colo. Aliás, essa função já esta até no nome: laptop: “para colocar em cima do colo”. É só recostar em algum lugar, apoiar essa pequena maravilha no colo e pronto, aqui estou eu me comunicando com vocês!

Quem o usa por muito tempo, assim como eu, sente o desconforto do calor que ele irradia. O meu processador, por exemplo, está a 58ºC, bem desconfortável. Ou, pelo menos, estava. Agora, carrego com ele mais uma novidade: um apoio com dois ventiladores que funcionam ligados à porta USB. Existem vários modelos no mercado, uns mais modernos, à base de gel que se liquidifica ao esquentar, e outros mais ecológicos, feitos com garrafas PET. Mas o mais importante é que com eles ficou ainda mais confortável escrever para vocês!

É a modernidade ajudando a consertar o que a própria modernidade causou. Agora só estou esperando sair a conclusão do estudo sobre a radiação eletromagnética dos celulares... Mas já dou um aviso: o meu já não anda mais no bolso!

Por Dr. Cassio Sartorio
Ginecologista da equipe do Centro de Fertilidade da Rede D’Or

terça-feira, 14 de julho de 2009

Como funciona o sistema reprodutor feminino?

Estamos iniciando uma nova fase no blog, buscando uma maior interação com nossos leitores. Para isso, preparamos uma lista muito especial com as principais dúvidas que costumamos responder. Envie suas perguntas (fertilidade@barrador.com.br), comente, fique à vontade... nosso blog é feito para você!

O sistema reprodutor feminino depende do correto funcionamento de quatro componentes do corpo: o cérebro, o ovário, a trompa de Falópio e o útero. A mulher já nasce com a quantidade exata de óvulos que vai ter por toda a sua vida. Esses óvulos ficam dentro de pequenos sacos preenchidos de líquido, chamados de folículos.

Todo mês, o cérebro manda uma mensagem a partir da glândula pituitária, estimulando o crescimento dos folículos e, por esse motivo, esse hormônio se chama folículo estimulante (FSH). Sob a influência do hormônio, um grupo de folículos começa a crescer. Porém, por volta do 14º dia do ciclo menstrual, apenas um folículo dominante é realmente selecionado para ovular. Esse folículo pode estar no ovário direito ou esquerdo. Com o crescimento, o folículo produz um importante hormônio chamado estrogênio, cuja principal função é estimular o crescimento do endométrio (tecido no interior do útero, que forma o “ninho” para o futuro bebê), que promove a implantação do embrião no útero.

No meio do ciclo, o folículo dominante atinge o diâmetro de 20 a 22 mm. Nesse momento, o cérebro libera um segundo hormônio, chamado de hormônio luteinizante (LH), que é o que desencadeia a ovulação.

Aproximadamente 36 horas após o pico do LH, o folículo libera o óvulo. É aí que entra em ação a trompa de Falópio, que capta o óvulo da superfície do ovário. Isso significa que, se a trompa não á capaz de realizar seu trabalho, a gravidez não acontece.

Durante a relação sexual, milhões de espermatozóides são depositados na vagina, quando ocorre a ejaculação. Enquanto o óvulo chega ao interior da trompa, esses espermatozóides nadam através do colo do útero, atravessam a cavidade uterina e chegam até a trompa, aonde a fertilização acontece.

Normalmente, após ser fertilizado, o óvulo leva cinco dias para atravessar a trompa, até o momento de chegar ao útero. Durante esse trajeto, as células estão em franco processo de divisão e, quando o embrião atinge o útero, já existem centenas de células e ele passa a se chamar blastocisto.

Uma vez o ovário tendo liberado o óvulo, o folículo remanescente é chamado de corpo lúteo, que produz tanto estrogênio, como um novo hormônio: a progesterona. A progesterona transforma o endométrio, já estimulado pelo estrogênio, em um tecido apto para a implantação do embrião, permitindo que a gravidez ocorra.

Caso a gravidez não aconteça, duas semanas após a ovulação, os níveis de estrogênio e progesterona caem, o endométrio, que é mantido por esses dois hormônios, começa a murchar e a menstruação acontece.

De uma maneira em geral, se comparada com outras raças, os seres humanos não são muito férteis. Nossas taxas de gravidez vão de 20 a 25% por ciclo, nos anos do pico da fertilidade, ou seja, até os trinta anos. E, a partir dos 35 anos, essa taxa cai para cerca de 12 a 15%.

Próxima pergunta: O que é infertilidade?

terça-feira, 16 de junho de 2009

Matéria da Veja fala sobre destino de embriões - participação do Centro de Fertilidade

Matéria da Veja desta semana discute o tema do que fazer com os embriões excedentes de tratamentos de fertilização in vitro. São cerca de 25.000 células estocadas em clínicas de reprodução espalhadas pelo país. É uma questão muito delicada, tanto para os especialistas, quanto os casais que recorrem a técnicas de fertilização assistida.

A Dra. Maria Cecília Cardoso, embriologista do Centro de Fertilidade da Rede D'Or, colaborou com a matéria, explicando que existem algumas opções para esses embriões e apesar da legislação vigente, que limita o destino das células, todas as decisões devem ser tomadas com o consentimento do casal. A maioria decide por preservá-los, para usá-los no futuro, ou mesmo por não se sentirem à vontade para descartá-los (60%, segundo a matéria). Já outros, preferem doá-los para pesquisas clínicas (20%), ou ainda para casais que não conseguem gerar embriões (10%). E, na minoria dos casos, alguns preferem descartar, ou até abandonar os embriões.

A revista traz ainda histórias interessantes de casais que congelaram embriões e tiveram que decidir que destino dar a eles. Confira, abaixo:








terça-feira, 10 de março de 2009

O que é sorodiscordância?

A sorodiscordância é a situação onde um dos parceiros num casal é portador de uma doença viral crônica, enquanto o outro não. Para o tratamento de fertilidade, as doenças que preocupam são aquelas que podem ser transmitidas por via sexual - por exemplo o HIV e o vírus da hepatite C (HCV).

Quando um casal sorodiscordante mantém relação sexual desprotegida, a chance de transmissão é de 0,12% por coito para o HIV1, 2 e de 13% para a Hepatite C3, e a probabilidade da mulher contrair o vírus da Hepatite C é três vezes maior do que a do homem4. Já a chance de transmissão da doença para o bebê quando a mulher possui HCV é de aproximadamente 2%, podendo chegar a 7% quando possui carga viral elevada4.

Pode parecer um número pequeno, mas para a criança infectada as conseqüências são preocupantes: o HIV a longo prazo leva a destruição do sistema de defesa do corpo, deixando a pessoa suscetível à doenças infecciosas oportunistas. Já a hepatite C pode levar ao aparecimento cirrose e de câncer no fígado.

O que a reprodução assistida tem a oferecer?

A reprodução assistida pode ajudar minimizando os riscos de transmissão entre o casal, principalmente quando o homem é o portador do vírus. Para isso, são empregadas técnicas especiais de preparo e lavagem do sêmen.

Quando a mulher é a portadora, a técnica utilizada na reprodução assistida é a tradicional, servindo exclusivamente para evitar a contaminação do parceiro. Nesse caso, é fundamental a realização de um pré-natal adequado, onde serão tomadas medidas para minimizar os riscos de transmissão para o bebê.

Segurança da técnica

Vários estudos científicos5, 6 já foram realizados para mostrar qual a melhor técnica a ser utilizada no preparo do sêmen. Atualmente, já há relato de mais de 3.300 de ciclos realizados na Europa somente em 2007 sem transmissão dos vírus entre o casal7.

Outras opções para o casal sorodiscordante

Quando um casal não deseja correr o risco de transmissão da doença do homem para mulher, existe a possibilidade de utilização de sêmen de doador com as mesmas características físicas do parceiro.